
Espargos, 20 Fev (Inforpress) – O presidente da Comissão Nacional de Protecção e Dados (CNPD) disse hoje que é preciso alertar os jovens sobre os riscos dos aplicativos tecnológicos, estando o digital cada vez mais "omnipresente" na vida das crianças e dos jovens.
Faustino Varela fez esta chamada de atenção hoje na ilha do Sal, durante um workshop sobre “Educação e Protecção de Dados e a Protecção dos Adolescentes em Ambiente Digital”, afirmando que é necessário alertar os jovens sobre os benefícios, as oportunidades dos aplicativos tecnológicos associados à internet, mas também é necessário que os jovens tenham a consciência de que vêm muitos riscos associados.
“Desde a definição dos seus perfis para variadíssimos fins mas também para exposição dos jovens a conteúdos inapropriados, roubo de identidade, assédios cibernéticos, daí que a Comissão, no âmbito da comemoração do seu 10.º aniversário, tem agendado um conjunto de eventos para partilhar com os jovens os benefícios e os riscos associados à utilização das novas tecnologias”, frisou.
O evento teve como público alvo crianças e os jovens, mas também pais, encarregados de educação e toda a comunidade educativa, porque, conforme Faustino Varela, por regra, quem deve educar os jovens sobre o digital são os pais.
“Entretanto preciso envolver todo o ambiente educativo, porque, a seguir aos pais, temos os professores e todos os operadores educativos, que também devem estar informados, não só das oportunidades que o digital proporciona, mas para terem a noção de que tudo isso também importa riscos”, advertiu.
Quanto à questão da consciencialização das pessoas sobre a partilha dos dados e da própria fiscalização neste assunto, a mesma fonte sublinhou que CNPD tem uma função fiscalizadora, mas, muito mais do que fiscalizar, impõe, primeiramente, sensibilizar, que também é uma função da Comissão.
“Sensibilizar e educar as pessoas para a protecção de dados, porque a protecção de dados, ou dados pessoais, significa informações de uma pessoa identificada ou possível de identificação, isto quer dizer que os dados não são absolutamente confidenciais, mas devem ser tratados com um conjunto de princípios e regras”, continuou.
Neste sentido, destacou o princípio da proporcionalidade, ou seja “tratar os dados, sim, mas apenas os dados necessários”, para a realização de uma determinada finalidade.
“Devemos tratar os dados pessoais só quando temos razões objectivas, jurídicas, para o fazer. Não realizar operações com os dados pessoais sem que haja uma condição de legitimidade para o efeito”, lembrou.
O evento, que contou com uma sala bem composta, serviu para promover a literacia digital e a sensibilização para os desafios e responsabilidades no uso de dados pessoais no ambiente escolar , além de discutir estratégias para garantir a segurança de crianças e jovens no mundo digital.
NA/ZS
Inforpress/Fim
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