
Nova Sintra, 21 Mai (Inforpress) – A médica veterinária Lara Baptista destacou os avanços registados ao longo da última década das campanhas de saúde e controlo animal na ilha Brava, sublinhando que esta é a décima vez que a equipa realiza ações no município.
A campanha iniciou-se na segunda-feira,19, e decorrerá até a sexta-feira, 22.
Em declarações hoje à Inforpress, Lara Baptista realçou que a primeira campanha teve início em 2016 e, desde então, o trabalho tem contado com o empenho contínuo das entidades parceiras locais, permitindo dar seguimento às ações de castração, desparasitação e sensibilização junto da população.
“Já vimos várias caras conhecidas, tanto de donos como de animais que vêm todos os anos. Muitos já estão castrados e vêm apenas para desparasitação”, afirmou, acrescentando que os resultados obtidos ao longo dos anos “já são visíveis”.
Segundo a médica veterinária, actualmente verifica-se “uma redução significativa” de casos relacionados com ectoparasitas, sobretudo carraças e febre do carrapato, problemas que anteriormente afetavam muitos animais na ilha.
“Estamos a ver muito menos casos, o que significa que o trabalho de desparasitação tem surtido efeito e mostra a importância de continuar”, salientou.
Relativamente ao controlo populacional, Lara explicou que muitos dos animais encontrados nas ruas de Nova Sintra pertencem a famílias, mas permanecem soltos durante grande parte do tempo.
Segundo a mesma fonte, a maioria destes animais já se encontra esterilizada ou castrada.
Ainda assim, reconheceu que persistem algumas preocupações por parte dos criadores de gado, sobretudo devido a relatos de ataques a cabras por cães.
A veterinária explicou que o excesso de reprodução animal contribui para o aumento do número de cães nas ruas, levando muitos a afastarem-se das zonas urbanas à procura de recursos, regressando posteriormente às localidades, sobretudo durante a noite, situação que poderá estar associada aos ataques reportados.
Apesar de considerar que a situação aparenta estar mais controlada, a veterinária lamentou a ausência de dados concretos que permitam avaliar com rigor a evolução do número de ataques e o impacto efetivo das campanhas.
“Nem todos os criadores fazem queixa e essa informação nem sempre fica registada. Seria muito importante começarmos a ter dados concretos para perceber se o trabalho está a funcionar ou se precisamos mudar alguma coisa”, defendeu.
No que diz respeito à saúde e bem-estar animal, a responsável considerou que os sinais são positivos, afirmando que os animais apresentam atualmente melhores condições físicas.
Entretanto, reconheceu que a curta duração das campanhas continua a limitar a capacidade de resposta da equipa, sobretudo nas localidades mais afastadas.
Segundo explicou, o ideal seria garantir uma presença mais regular na ilha ou encontrar uma solução local permanente capaz de responder às necessidades da população ao longo do ano.
“Para conseguirmos chegar a todas as localidades precisaríamos de permanecer aqui duas ou três semanas, o que nem sempre é possível”, finalizou Lara Baptista.
DM/AA
Inforpress/Fim
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