
Mindelo, 13 Out (Inforpress) – A presidente do ICIEG afirmou hoje, no Mindelo, que a independência económica e a violência política estão entre os factores que condicionam a participação das mulheres na vida cívica e política em Cabo Verde.
Marisa Carvalho, presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), falava à imprensa a propósito da “Jornada de Reflexão sobre a Participação Política em Cabo Verde”, sob a perspectiva de género, que decorre em São Vicente.
Segundo Marisa Carvalho, no que diz respeito à independência económica, as mulheres enfrentam dificuldades em aceder e permanecer no mercado de trabalho, lembrando que os dados apresentados na semana passada vieram corroborar essa realidade.
“Elas continuam a ser as mais desempregadas, as mais inactivas e as que têm mais dificuldades em manter-se no mercado de trabalho”, explicou, acrescentando que a questão do tempo também é um factor condicionante.
Isto porque, explicou, as mulheres raramente dispõem de tempo para se envolver em actividades que não sejam os trabalhos domésticos, de cuidados ou o seu emprego formal.
Além disso, vincou o facto de se viver numa “sociedade que penaliza e também exerce violência”.
“A questão da violência política é uma realidade. As mulheres, quando procuram alcançar algum tipo de visibilidade ou se candidatam a determinados cargos, recebem uma série de atenções negativas pela sua ousadia”, considerou.
Conforme a mesma fonte, é a partir daí que surgem “os chavões preconceituosos e os estereótipos de que o lugar da mulher é em casa, a tomar conta da família”, além da “carga familiar que leva muitas mulheres a pensar duas vezes antes de ousar, para não pôr em causa a família”.
“Os homens não têm a sua competência nem a meritocracia colocadas em causa, mas as mulheres têm sempre de provar mais e melhor para terem um lugar — muitas vezes inferior ao dos homens. Tudo isso são factores que, em conjunto, têm contribuído para essa desigualdade”, frisou.
No entanto, segundo Marisa Carvalho, há vários casos consistentes e concretos de mulheres em Cabo Verde que têm ousado quebrar esses paradigmas e estereótipos.
Por isso, explicou, com a jornada de reflexão sobre a participação política em Cabo Verde, realizada em São Vicente - ilha com um historial de actuação e movimentos cívicos -, pretende-se também lembrar que foi ali que se elegeu a primeira mulher, Isaura Gomes, como presidente de uma autarquia.
Falando sobre a questão da paridade na política em Cabo Verde, a mesma fonte referiu que, desde 2019, com a entrada em vigor da Lei da Paridade, as autarquias atingiram a paridade em todos os órgãos de representação, com excepção das presidências das câmaras.
“Elegemos uma mulher, e ainda assim foi mais do que nas eleições anteriores, o que já representa um avanço. Nas presidências das assembleias municipais, nas vereações e entre os deputados municipais, já ultrapassamos os 40 por cento (%), em todos esses sectores”, exemplificou, sublinhando que “fica de fora a presidência, que é o cargo mais visível, mais ambicionado e com maior projecção”, e que nunca foi ocupado por uma mulher.
CD/CP
Inforpress/Fim
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