
Cidade da Praia, 06 Mar (Inforpress) - A presidente do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género revelou hoje que nove em cada 10 mulheres realizam trabalho não remunerado, dedicando semanalmente mais horas do que os homens às tarefas domésticas e de cuidado.
Marisa Carvalho, falava no encontro de reflexão subordinado ao tema “O uso do tempo e a sustentabilidade social em Cabo Verde – Reflexões a partir do Módulo de Uso do Tempo e Trabalho não Remunerado 2024 (MUT 2024)”, realizado pelo ICIEG no âmbito das celebrações do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 08 de Março.
“Os dados mostram que nove em cada 10 mulheres realizam trabalho não remunerado, dedicando em média várias horas semanais a mais do que os homens às tarefas de cuidado e organização doméstica”, referiu.
O estudo revelou ainda que a taxa de participação na carga global de trabalho situa-se em 84,9 por cento (%), sendo mais elevada entre as mulheres, ou seja, a taxa de participação das mulheres na carga global de trabalho atinge 90,8%, enquanto a dos homens é de 78,9%. O tempo médio semanal de trabalho, remunerado e não remunerado, é de 38 horas e 41 minutos, tanto para homens como para mulheres.
A responsável sublinhou que estes números não representam opiniões, mas sim evidência estatística produzida pelo Instituto Nacional de Estatística e perante esta realidade, considerou necessário questionar como garantir pleno acesso à justiça quando persistem desigualdades estruturais na distribuição do tempo, do rendimento e das oportunidades.
Marisa Carvalho salientou ainda que o acesso à justiça, à educação e à saúde depende também da sustentabilidade dos sistemas de protecção social, da estabilidade das trajectórias contributivas e da autonomia económica ao longo da vida.
Embora a sustentabilidade financeira dos sistemas públicos seja uma preocupação legítima das agendas políticas, acrescentou, é igualmente necessário considerar a dimensão da sustentabilidade social.
“Falar de sustentabilidade social significa olhar para as condições reais que moldam as vidas das mulheres, significa compreender como a sobrecarga de cuidado pode afectar a densidade contributiva, a progressão profissional, o rendimento disponível e, consequentemente, a capacidade de aceder a mecanismos formais de justiça”, realçou.
A presidente do ICIEG destacou ainda que uma parte significativa do trabalho que assegura a reprodução da vida social e económica não entra nas contas nacionais, mas entra na realidade das famílias, nas oportunidades profissionais e na autonomia financeira.
“Entra nas trajectórias contributivas, na organização do mercado de trabalho, na sustentabilidade dos sistemas públicos e também na capacidade de uma mulher procurar apoio jurídico, denunciar violência ou reivindicar direitos”, finalizou.
AV/CP
Inforpress/Fim
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