IMar considera experiência das comunidades fundamental na definição de políticas públicas no sector das pescas

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IMar considera experiência das comunidades fundamental na definição de políticas públicas no sector das pescas
11/10/25 - 01:10 pm

Cidade da Praia, 11 Out (Inforpress) – O Instituto do Mar (Imar) salientou hoje a relevância do engajamento dos pescadores nas pesquisas científicas, considerando que os saberes endógenos e a experiência prática das comunidades são “fundamentais” para orientar políticas públicas e fortalecer a pesca artesanal.

A consideração foi feita por Elísia da Cruz, do Instituto do Mar (Imar), durante a sua comunicação no Painel IV “Compartilhando Melhores Práticas: Casos Reais”, subordinado ao tema “Reforço da Capacidade Educacional e Tecnológica – Ciência Cidadã e Auto-relato por Pescadores”, no âmbito da IV Conferência da Década do Oceano, realizada na ilha do Fogo.

Durante a sua intervenção, a investigadora destacou a importância do engajamento e da colaboração dos pescadores nas actividades de investigação científica, sublinhando que “a pesquisa não pode ser feita de forma isolada”.

Segundo afirmou, os saberes endógenos e a experiência prática dos pescadores são “fundamentais” para a produção de dados fiáveis e para a definição de políticas públicas eficazes no sector das pescas.

Elísia da Cruz apresentou o projecto piloto de auto-relato de dados da pesca artesanal, desenvolvido em São Vicente e financiado por instituições internacionais, no qual os pescadores artesanais registam as suas capturas através de um aplicativo instalado em telemóveis fornecidos pelo projecto. Explicou que esses dados são transmitidos em tempo real ao Instituto do Mar, onde o Departamento de Estatística procede à análise e tratamento da informação.

Avançou que o objectivo é que os pescadores participem activamente no processo de investigação, contribuindo com o seu conhecimento e experiência sendo que estes dados permitem-nos compreender melhor as dinâmicas da pesca artesanal e propor medidas concretas para enfrentar os desafios do sector.

O projecto, segundo explicou, contou com a colaboração de investigadores do Brasil na criação do aplicativo, posteriormente adaptado à realidade cabo-verdiana em conjunto com as comunidades locais.

“Então o que vamos aqui destacar é o engajamento, a possibilidade deles também fazerem pesquisa connosco, ou seja, a investigação que nós fazemos no Instituto, que é uma investigação aplicada, é feita também com dados oferecidos pelos pescadores”, precisou.

A investigadora referiu-se ainda à evidência crescente de escassez de várias espécies, como a cavala e a garoupa, situação que varia conforme as regiões e que tem motivado a implementação de novos projectos de mitigação.

“Praticamente em todo o Cabo Verde os pescadores artesanais têm evidenciado a escassez de várias espécies que antes eram muito pescadas e hoje, portanto, estão em decadência (...), praticamente os pequenos pelágicos, a cavala, mas é diferenciado em sítios, a garoupa, que chamamos em crioulo de pesca de fundo ou pesca de linha, então, há regiões diferentes, que uma espécie aparece, outra espécie não aparece, ou não se vê mais grande”, apontou.

Entre os exemplos, Elísia da Cruz indicou o Projecto Mosteiro Resiliente, em execução na ilha do Fogo, que tem vindo a instalar dispositivos de concentração de peixes (DCP) com o objectivo de criar ecossistemas artificiais que favorecem a reprodução e a captura sustentável.

“Através destes projectos, os pescadores tornam-se parte da solução, sendo que são eles que recolhem os dados, identificam as mudanças no mar e ajudam-nos a orientar as políticas públicas para fortalecer o sector das pescas e garantir a sua sustentabilidade”, sublinhou.

AV/ZS

Inforpress/Fim

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