Hospital Agostinho Neto consolida-se como pilar na oncologia e reduz transferências médicas para Portugal - directora clínica

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Hospital Agostinho Neto consolida-se como pilar na oncologia e reduz transferências médicas para Portugal - directora clínica
30/10/26 - 01:55 pm

Cidade da Praia, 30 Out (Inforpress) - O Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN) assumiu-se hoje como a única infra-estrutura de saúde em Cabo Verde a disponibilizar um serviço de oncologia vocacionado para o diagnóstico e tratamento quimioterápico.

A afirmação é da directora clínica do HUAN, Valéria Semedo, proferida durante um fórum sob o lema “Celebrar a Vida em Família”, integrado nas actividades do "Outubro Rosa", dedicado à prevenção do cancro da mama.

“O avanço na oferta de cuidados locais permitiu reduzir drasticamente a necessidade de evacuações médicas para Portugal”, destacou a responsável, sublinhando que a consolidação de um acompanhamento multidisciplinar aos doentes com cancro da mama tem sido determinante na melhoria do prognóstico e da qualidade de vida dos pacientes.

De acordo com Valéria Semedo, o HUAN garante actualmente a quase totalidade da linha de cuidados aos doentes oncológicos em conformidade com as directrizes nacionais, assegurando integralmente os ciclos de quimioterapia em solo cabo-verdiano, incluindo o acesso a terapêuticas inovadoras, dirigidas e específicas, anteriormente inacessíveis no país.

Ainda segundo a directora clínica, a abordagem integrada ao paciente no hospital combina o tratamento quimioterápico avançado com seguimento psicológico especializado, acompanhamento clínico multidisciplinar contínuo e cuidados paliativos.

“O cancro é hoje encarado como um importante problema de saúde pública que desafia a sustentabilidade do sistema sanitário e impacta fortemente a vida das pessoas, exigindo uma reorganização constante da resposta hospitalar”, salientou a médica, assinalando que a radioterapia é a única valência ainda indisponível no arquipélago e que continua a motivar a junta médica internacional.

Contudo, a responsável adiantou que o processo para suprir esta lacuna já foi iniciado em articulação com o Programa de Prevenção e Controlo de Doenças Oncológicas da Direcção Nacional da Saúde.

Trata-se de uma empreitada complexa e de elevada exigência técnica que requer tempo de maturação, mas cujos trabalhos preparatórios decorrem para dotar o país de auto-suficiência num futuro próximo.

Face a ausência de um programa nacional de rastreio populacional estruturado por mamografia, a estratégia das autoridades de saúde centra-se na detecção precoce como a ferramenta mais eficaz para aumentar as taxas de cura da doença.

Neste âmbito, através da rede de cuidados de saúde primários, a unidade hospitalar e os parceiros do sector têm promovido acções formativas e de sensibilização ao longo de todo o ano, com foco no ensino do auto-exame da mama e na realização de exames por palpação clínica nas comunidades.

Esta abordagem pedagógica e de proximidade tem permitido diagnosticar casos em fases iniciais, contribuindo para salvar vidas.

PC/P

Inforpress/Fim

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