
Lisboa, 29 Set (Inforpress) - O líder da oposição guineense, Domingos Simões Pereira, considerou hoje "chocante" e motivo de "inquietação" o anúncio da candidatura presidencial do antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló, questionando se existem garantias de igualdade e segurança para todos os participantes no processo.
"O que torna essas declarações algo chocantes é o facto de ele [Sissoco Embaló] ter saído da Guiné-Bissau presumivelmente como vítima de um golpe de Estado, que todo o mundo na altura compreendeu que não passava de cerimonial", declarou à agência Lusa Domingos Simões Pereira, que está em Portugal por razões médicas e humanitárias, sublinhando que o antigo Presidente guineense impediu "a divulgação dos resultados, que lhe davam como perdedor dessas eleições", e evitou o reconhecimento de "Fernando Dias da Costa como Presidente eleito".
Segundo o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), a manobra de Sissoco Embaló serviu para "manter no poder elementos da sua confiança" até que estivessem reunidas as condições para o seu regresso e reclamação do cargo.
O líder da oposição estranhou ainda a mudança do discurso por parte das autoridades militares guineenses, notando que, após um período em que o Alto Comando Militar garantia ter outras prioridades, surja agora o anúncio de que estão criadas as condições para a candidatura do ex-presidente.
"Poucas vezes ou nunca ouvi falar de uma entidade que tenha sido vítima de um golpe de Estado fazer essas afirmações em relação a quem o afastou do poder", salientou Domingos Simões Pereira.
Para a oposição, a grande dúvida que se coloca neste momento é saber "se essas mesmas condições serão garantidas a todos os demais guineenses que queiram regressar e participar do processo [eleitoral]", o que, no seu entender, deve "suscitar alguma inquietação e interrogação".
Na segunda-feira, Umaro Sissoco Embaló anunciou que será candidato às eleições presidenciais de dezembro, a menos de uma semana do regresso anunciado a Bissau.
"Sim, serei candidato", disse Sissoco Embaló à revista Jeune Afrique (JA) a partir de Brazzaville, de onde deverá seguir para Bissau no próximo domingo.
De acordo com a revista, o antigo chefe de Estado guineense considera que o general Horta N’Tam Inta-a, presidente de transição desde o golpe de Estado de 26 de Novembro de 2025 e "principal artífice do seu afastamento, mas de quem se manteve próximo, respeitará os termos da carta de transição e não se candidatará", o que deixa o caminho aberto para o início da pré-campanha.
Até 06 de Dezembro, data marcada para as eleições, haverá o congresso do seu partido, o Madem G15, a 16 e 17 de Outubro, e será depois lançada a Plataforma Republicana, que reúne mais de uma dezena de partidos e que deverá dar o apoio à candidatura de Sissoco Embaló, acrescentou a JA.
Com o golpe de Estado de 26 de Novembro, os militares criaram um Conselho Nacional de Transição (CNT), que assumiu as competências do parlamento, e nomearam Ilídio Vieira Té primeiro-ministro e ministro das Finanças.
O órgão fez aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do Presidente da República, entre outras alterações.
O general Horta Inta-a marcou para 06 de Dezembro próximo a data para a realização de eleições legislativas e presidenciais e a oposição considera que aqueles estariam a preparar-se para facilitar o regresso de Embaló ao poder.
Inforpress/Lusa
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