
João tevês, 1 Out (Inforpress) - A presidente da Fundação Sima Júlia, Teresa Mascarenhas, defendeu hoje, a criação de políticas públicas que reforcem a responsabilidade dos filhos no cuidado dos pais na velhice, considerando que a protecção dos idosos deve começar pela família.
Aquela responsável falava à imprensa à margem do Ato Central do Jubileu dos Idosos 2026, realizado na Igreja Matriz de São Lourenço dos Órgãos, no âmbito do Dia Internacional da Pessoa Idosa.
Teresa Mascarenhas defendeu a necessidade de uma política pública “bem clara, bem concreta”, em que cada instituição assuma a sua responsabilidade na protecção e acompanhamento das pessoas idosas, a começar pela família.
Segundo disse, deve ser discutida a possibilidade de estabelecer, através de mecanismos legais, uma responsabilidade mais clara dos filhos para com os pais idosos, à semelhança do dever assumido pelos pais durante a criação dos filhos.
“Devia existir uma lei que obrigasse os filhos a cuidar dos seus pais na velhice”, afirmou, defendendo que a medida deveria ser acompanhada de mecanismos que garantissem a sua efectiva aplicação.
Para Teresa Mascarenhas, os filhos têm uma responsabilidade particular com os pais idosos, sobretudo tendo em conta o papel que estes desempenharam na criação e educação das gerações mais novas.
A presidente da Fundação Sima Júlia salientou, entretanto, que a responsabilidade pelo bem-estar dos idosos não deve recair exclusivamente sobre as famílias, pelo que defendeu também uma intervenção mais estruturada das instituições e do poder público.
Nesse sentido, apontou a necessidade de criação de centros de dia e espaços de convivência nas comunidades, onde os idosos possam encontrar-se, participar em actividades e reduzir situações de isolamento.
Defendeu igualmente a criação de transportes para passeios e actividades culturais, bem como iniciativas de dança-terapia, musicoterapia e reabilitação, sobretudo para idosos com problemas de mobilidade e dores.
Teresa Mascarenhas chamou ainda a atenção para outras dimensões do envelhecimento, como as condições habitacionais, alimentação, saúde e, sobretudo, a solidão.
Segundo aquela responsável, a ausência de companhia e de apoio pode agravar situações de sofrimento entre os idosos, pelo que considera fundamental garantir não apenas assistência material, mas também “atenção, mais carinho e, acima de tudo, presença”.
“Se cada um fizer um bocadinho, a vida dos nossos idosos seria diferente”, defendeu, apelando às famílias, vizinhos e comunidades para que estejam mais presentes na vida das pessoas idosas.
A mesma fonte destacou que o cuidado com os idosos deve também ser encarado como uma responsabilidade intergeracional, uma vez que as gerações actuais devem proporcionar aos mais velhos o tratamento e a atenção que gostariam de receber quando chegarem à velhice.
Além da defesa de políticas públicas, Teresa Mascarenhas fez um balanço dos sete anos de existência da Fundação Sima Júlia, cujo lançamento público ocorreu a 1 de Outubro, Dia Internacional da Pessoa Idosa.
Aquela responsável considerou positivo o percurso realizado pela instituição, que tem contado com voluntários internacionais e acolhido estudantes para estágios profissionais e curriculares, mas defendeu a necessidade de maior sustentabilidade e de uma equipa multidisciplinar capaz de assegurar respostas regulares.
DV/ZS
Inforpress/Fim
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