
São Filipe, 03 Out (Inforpress) – O imenso potencial da parte exterior da Bordeira, conhecida por Serra, representa, para a viticultura, uma das maiores riquezas agrícolas da ilha do Fogo, mas permanece subaproveitada por falta de acesso, incentivos e políticas públicas eficazes.
Este posicionamento é defendido por Rosando Monteiro, da adega/cooperativa Chã, que, ao falar sobre a recente conquista de mais uma medalha para o vinho Chã, afirmou que o futuro da ilha passa pelo aproveitamento do potencial do exterior da Bordeira, desde Cabeça Fundão, passando pelas zonas altas de Monte Grande/Cabeça Monte, Ribeira Filipe até Montinho.
Segundo o mesmo, todo o semicírculo exterior da Bordeira que delimita Chã das Caldeiras, a Serra, “é um diamante que temos na ilha” e que se for bem aproveitada, pode produzir videiras e fruteiras em toda a sua extensão.
“Basta abrir vias de acesso e criar condições e incentivos. É uma oportunidade de ouro para fixar a população com a criação de rendimento local”, advogou Rosando Monteiro que lembrou que, no passado, durante a implementação de projectos financiados pela cooperação alemã, existiam viveiros e incentivos que envolviam comunidades em zonas como Monte Vaca, Estância Roque e João Pinto.
“As pessoas aprendiam, plantavam e viam retorno. Isso acabou. Hoje, não temos nada. Mas se pensarmos bem a ilha e trabalharmos juntos, muita coisa pode ser feita”, disse a mesma fonte para quem é essencial compreender que a produção de uvas leva tempo, cerca de três a quatro anos até gerar rendimento, mas tem um potencial transformador porque, explicou, se uma pessoa tem rendimento aqui, não precisa emigrar.
“Só precisamos pensar, investir e trabalhar juntos, independentemente da posição política”, advogou.
Com relação à conquista de mais uma medalha de ouro, que acontece pela terceira vez consecutiva, Rosando Monteiro disse que é uma “grande vitoria”.
“É uma grande vitória, quando vê pessoas do mundo todo provando mais de mil vinhos e o nosso é seleccionado entre os melhores”, destacou o responsável da adega/cooperativa Chã que destacou o reconhecimento já que o concurso é conhecido pelo seu rigor técnico, com jurados especializados de diferentes países, o que torna a premiação ainda mais significativa.
A distinção veio consolidar o nome da ilha do Fogo como referência em viticultura de altitude e produção de vinhos autênticos e além do orgulho e visibilidade, Rosando Monteiro enfatizou que a experiência internacional é uma oportunidade para melhorar, ainda mais, a qualidade dos vinhos locais, através do conhecimento de outras práticas, realidades e estilos de produção.
“Para melhorar a qualidade, é preciso conhecer outros vinhos, saber o que é bom e o que não é. Há muito a aprender e essa troca é essencial”, afirmou o responsável da adega/cooperativa para quem a distinção não é obra do acaso, mas fruto de um trabalho árduo que começa no campo, com os agricultores, e se estende até à adega.
“Desde o trabalho de campo, a escolha das uvas, que precisam ser saudáveis, até ao engarrafamento, é um esforço colectivo. Todos estão de parabéns, os agricultores, a cooperativa, a ilha e o país inteiro”, afirmou a nossa fonte que lembrou que diferente de outros concorrentes que elaboram vinhos específicos apenas para competição, o vinho da Chã que conquistou o ouro faz parte da produção regular.
“Levamos uma garrafa do mesmo vinho que qualquer pessoa pode beber. Isso mostra a consistência e qualidade do nosso produto”, disse com orgulho.
O reconhecimento internacional é, para Rosando Monteiro, mais do que uma medalha “é um símbolo de um potencial real e palpável” e acredita que, com mais investimentos, a ilha poderá, não só, expandir a produção de vinho de qualidade, mas também criar empregos, reter juventude e valorizar a agricultura de altitude como um sector estratégico para o desenvolvimento local.
JR/HF
Inforpress/Fim
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