
São Filipe, 27 Fev (Inforpress) – A presidente do ICCA, Zaida Freitas, reconheceu hoje que a ilha do Fogo continua a ser uma preocupação em matéria de abuso sexual infantil, mas destacou a diminuição de 11 casos entre 2023 e 2024.
"Sabemos que as mudanças não acontecem da noite para o dia. Esperamos que este ano tenhamos ainda menos casos, mas onde quer que haja situações, queremos que sejam denunciadas", afirmou a presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA).
Ao terminar uma visita de dois dias à ilha do Fogo, Zaida Freitas enfatizou a importância da campanha do ICCA, que trabalha com escolas e comunidades, especialmente as mais vulneráveis, para conscientizar, apelar à denúncia e promover a protecção das crianças.
A mesma fonte lembrou que a Constituição garante o direito à protecção da criança, sendo a família a primeira responsável.
"Quando a família não consegue desempenhar esse papel, a comunidade, a sociedade, as instituições têm que entrar e todos temos que prestar atenção e exercer a nossa obrigação, a nossa responsabilidade de proteger aqueles que, devido ao seu desenvolvimento, ainda não são capazes de se proteger", declarou.
Em relação ao vídeo com acto sexual envolvendo crianças que circulava na internet, Zaida Freitas informou que o ICCA ainda não recebeu uma denúncia formal, mas que o Ministério Público já está a intervir e uma das crianças envolvidas já pode ter recebido uma medida tutelar de protecção socioeducativa e vai ser encaminhada para o centro, na cidade da Praia.
Zaida Freitas alertou para os desafios que o contato com a internet e as redes sociais traz, reforçando a necessidade de prevenção.
Lembrou que as crianças também “têm que ser devidamente informadas sobre seus direitos”, mas também sobre “suas responsabilidades e seus deveres”, e entender que dos 12 aos 16 anos elas podem responder pelas acções tomadas.
A presidente do ICCA apelou para um “uso seguro e consciente” da Internet, alertando para o potencial destrutivo das tecnologias quando mal utilizadas.
"A família tem que ter consciência de que neste mundo globalizado, com essas tecnologias que são extremamente importantes, se bem utilizadas, podem destruir também as nossas crianças, podem destruir a nossa sociedade", referiu Zaida Freitas.
A mesma fonte finalizou que o ICCA continua a trabalhar na prevenção, através da informação, educação e conscientização, reforçando o papel fundamental das instituições e da família na protecção das crianças.
JR/AA
Inforpress/Fim
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