Fogo: Falta de arrastadouro, posto combustível e condições de acesso pode condicionar projecto da Cooperativa Ecopesca

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Fogo: Falta de arrastadouro, posto combustível e condições de acesso pode condicionar projecto da Cooperativa Ecopesca
20/08/26 - 09:50 am

São Filipe, 20 Ago (Inforpress) – O presidente da Cooperativa Ecopesca de São Jorge, Clarindo Teixeira, considerou urgente a execução do projecto do arrastadouro de Salinas e apontou a falta desta infraestrutura como uma das dificuldades enfrentadas pelos pescadores e pela cooperativa.

Segundo este responsável, sem um arrastadouro adequado, as embarcações têm de permanecer na água, o que dificulta a sua retirada e manutenção.

Clarindo Teixeira recordou que a Câmara Municipal de São Filipe anunciou, há alguns anos, a existência de financiamento para a construção do arrastadouro, mas a obra ainda não avançou.

O projecto da construção do novo arrastadouro foi socializado no mês de Julho de 2025 no quadro do projecto de requalificação de Salinas que visa transformar toda a zona costeira e marítima de Salinas, através da promoção de “melhorias significativas” na infraestrutura, no turismo e actividades pesqueiras.

O novo arrastadouro representa um investimento na ordem dos 70 mil contos e o projecto foi elaborado com base em estudos detalhados, incluindo análises de marés, riscos de inundações e riscos sísmicos, garantindo a segurança e a durabilidade das obras.

Além da situação do arrastadouro, Clarindo Teixeira mostrou-se preocupado com o estado degradado da via de acesso ao porto de Salinas, que, segundo o mesmo, representa também um obstáculo à circulação e pode dificultar a chegada de turistas à zona.

“Esperamos que o projecto de requalificação de Salinas que inclui novo arrastadouro e via de acesso se inicie o mais cedo possível”, afirmou.

Considerou que a concretização do arrastadouro e a melhoria dos acessos serão importantes para garantir as condições necessárias à implementação e ao sucesso dos projectos da cooperativa.

Para Clarindo Teixeira, Salinas tem potencial para se transformar num importante espaço de pesca, lazer e turismo, mas precisa de investimentos que permitam melhorar as condições oferecidas aos pescadores, visitantes e turistas.

Defendeu a criação de espaços de lazer, sanitários, melhores condições de electricidade e abastecimento de água, bem como o reforço da segurança no porto.

“Queremos ver Salinas com um desenvolvimento muito grande”, afirmou, defendendo que, com melhores condições, o porto poderá ganhar um valor semelhante ao de outras infraestruturas portuárias existentes noutras ilhas.

Para concretizar essa visão, considera necessário um trabalho conjunto entre a Câmara Municipal de São Filipe, o Governo, a cooperativa e a própria comunidade piscatória, através da apresentação de propostas que tenham em conta as necessidades e a realidade local.

Outra das reivindicações antigas dos pescadores de Salinas prende-se com a entrada em funcionamento do posto de combustível instalado no porto.

Clarindo Teixeira explicou que, enquanto o posto não funciona, os pescadores são obrigados a deslocar-se a São Filipe para adquirir combustível, recorrendo muitas vezes a viaturas de aluguer para fazer o transporte.

Segundo o responsável, esta situação cria dificuldades adicionais, uma vez que o transporte de combustível juntamente com passageiros nem sempre é facilitado, obrigando os pescadores a encontrar alternativas para garantir o abastecimento das embarcações.

“Já temos o contentor e não sabemos quando vai funcionar”, lamentou, acrescentando que a falta de combustível em Salinas representa “uma dificuldade significativa” para a atividade piscatória.

A Inforpress soube junto de uma fonte da edilidade de São Filipe que o funcionamento do posto rural de venda de combustível está a depender do término da ligação da electricidade que está em curso.

O porto de Salinas conta atualmente com 33 embarcações de pesca, às quais se juntam as duas embarcações da Cooperativa Ecopesca, totalizando 35 embarcações.

Contudo, Clarindo Teixeira explicou que nem todas estão actualmente em operação, sobretudo devido à falta de motores.

Em alguns casos, os pescadores são obrigados a utilizar remos para se deslocarem ao mar, situação que limita consideravelmente a actividade.

JR/AA

Inforpress/Fim

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