Fogo: Dívida do Estado à Águabrava atinge 400 mil contos e agrava crise no abastecimento de água - CPR do PAICV

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Fogo: Dívida do Estado à Águabrava atinge 400 mil contos e agrava crise no abastecimento de água - CPR do PAICV
23/02/26 - 05:45 pm

São Filipe, 23 Fev (Inforpress) - A Comissão Política Regional do PAICV/Fogo denunciou hoje que a dívida do Estado à Águabrava pelo fornecimento de água a custo inferior à produção aos agricultores e criadores de gado atinge actualmente cerca de 400 mil contos.

Esta informação foi revelada pelo presidente da CPR do PAICV, Luís Nunes durante uma conferência de imprensa para denunciar os frequentes cortes de energia na ilha e que estão a provocar um efeito em cadeia com consequências graves no abastecimento de água, afectando sobretudo as zonas altas do concelho de São Filipe e os municípios dos Mosteiros e Santa Catarina do Fogo.

A Empresa Intermunicipal de Águas, Águabrava tem a responsabilidade de assegurar o abastecimento de água nas ilhas do Fogo e da Brava, e fornece água a agricultores e criadores de gado a um preço abaixo do custo real, cabendo ao Governo compensar essa diferença, referiu.

Contudo, segundo informações avançadas, a dívida do Estado à Águabrava atinge actualmente cerca de 400 mil contos, um montante considerado “elevado e preocupante” e que condiciona a capacidade financeira da empresa para investir na melhoria da rede, reforçar infra-estruturas e responder com maior eficácia às falhas no sistema.

Para o PAICV, caso o pagamento tivesse sido efectuado atempadamente, a empresa poderia dispor de recursos suficientes para minimizar os impactos dos cortes de energia e avançar com soluções estruturais para o abastecimento de água.

A interrupção no fornecimento de electricidade paralisa as estações de bombagem responsáveis por transportar água para as localidades situadas em áreas elevadas, referiu Luís Nunes que acrescentou que “sem energia, as bombas deixam de funcionar, os reservatórios não são reabastecidos e, em poucas horas, populações inteiras ficam privadas de um recurso essencial”.

A situação compromete serviços públicos, estabelecimentos comerciais e actividades agrícolas com famílias a recorrem a soluções improvisadas, muitas vezes dispendiosas, para garantir água para consumo e uso doméstico.

Luís Nunes adiantou que os agricultores e pequenos produtores enfrentam perdas directas na produção e no rendimento devido à instabilidade no fornecimento de água.

A crise hídrica é igualmente associada à ausência de novas perfurações e à insuficiência de investimentos na captação e reforço dos recursos subterrâneos.

“Numa ilha marcada pela irregularidade das chuvas e períodos prolongados de seca, a gestão da água exige planeamento estratégico e introdução de novas formas de disponibilização de água, nomeadamente através da dessalinização”, defendeu Luís Nunes, para quem sem essas novas soluções para aumentar a disponibilidade, a capacidade de resposta torna-se limitada e vulnerável.

JR/ZS

Inforpress/Fim

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