Fogo: CPR do PAICV denuncia cortes de energia, falta de água e escassez de gás na ilha

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Fogo: CPR do PAICV denuncia cortes de energia, falta de água e escassez de gás na ilha
23/02/26 - 05:56 pm

São Filipe, 23 Fev (Inforpress) – A Comissão Política Regional do PAICV/Fogo manifestou hoje a sua preocupação e indignação face aos sucessivos cortes de energia, à falta de água e à escassez de gás butano na ilha nas últimas semanas.

Em conferência de imprensa, o presidente da CPR do PAICV, Luís Nunes, disse que essas situações têm atormentado a vida dos foguenses nos últimos dias.

Segundo o mesmo, os cortes recorrentes de energia têm causado sérios prejuízos aos operadores económicos e às famílias, afectando, directamente, o quotidiano e o desenvolvimento da ilha com os empresários a enfrentarem perdas significativas, com estabelecimentos obrigados a encerrar temporariamente, equipamentos electrónicos danificados devido a oscilações de corrente e produtos perecíveis deteriorados.

Para o PAICV, é inadmissível que, num país de rendimento médio e num contexto em que o desenvolvimento sustentável e a modernização das infra-estruturas deveriam ser prioridades, a população do Fogo continue a enfrentar falhas constantes no fornecimento de electricidade.

O maior partido da oposição sustenta que os sucessivos apagões não podem ser tratados como simples “constrangimentos técnicos”, mas sim como reflexo da falta de investimento programado e atempado na central única que abastece a ilha do Fogo.

O presidente da CPR do PAICV sublinhou ainda que alertas sobre a necessidade de modernização, manutenção preventiva e reforço da capacidade de produção energética têm sido feitos ao longo dos anos, mas o Governo do MpD, terá optado por adiar decisões estratégicas, deixando a central a operar no seu limite.

“A ausência de investimentos adequados na central única desde 2016 demonstra falta de prioridade política num sector vital”, afirmou.

A Comissão Política Regional aponta ainda dificuldades no acesso ao gás de cozinha, com relatos de filas prolongadas em revendedores na cidade de São Filipe.

A escassez, referiu Luís Nunes, tem gerado “stresse e transtornos” às famílias, obrigando algumas a recorrer a alternativas menos seguras e ambientalmente pouco recomendáveis enquanto os pequenos negócios e restaurantes acumulam prejuízos.

Embora reconheça que a distribuição seja responsabilidade das empresas, o PAICV defende que cabe ao Governo assegurar o abastecimento regular e equitativo de bens essenciais em todas as ilhas, reforçando a fiscalização e a logística inter-ilhas, sublinhando que a escassez se deve a deficiência ao problema de transportes entre Santiago e Fogo que é da responsabilidade do Governo.

O partido critica ainda as visitas do primeiro-ministro à ilha, defendendo que devem servir para apresentar soluções concretas e planos de investimento claros e não para “capitalizar ganhos políticos”.

“Ao invés de o primeiro-ministro se deslocar à ilha do Fogo apenas para tirar ‘selfies’, distribuir abraços e procurar associar-se às obras realizadas pelos autarcas locais, deveria concentrar a sua atenção e a sua liderança na resolução dos problemas reais que os foguenses enfrentam todos os dias”, disse Luís Nunes para quem os foguenses precisam de estabilidade no fornecimento de energia, água garantida e acesso regular a bens essenciais.

“A ilha do Fogo merece respeito, soluções duradouras e uma presença governativa focada em resultados concretos”, concluiu.

JR/HF

Inforpress/Fim

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