
São Filipe, 23 Set (Inforpress) - A capacitação das equipas técnicas das ONG na monitorização e conservação das aves marinhas constitui um dos objectivos do workshop de três dias, promovido no âmbito da iniciativa nacional para a conservação destas espécies no país.
A coordenadora nacional do Programa Nacional de Conservação das Aves Marinhas de Cabo Verde, Ivandra Gomes, explicou que o projecto, mobilizado por ONG, está orçado em cerca de dois milhões de euros, financiados por uma fundação suíça, e será implementado a nível nacional, abrangendo as ilhas de Santo Antão à Brava e os ilhéus.
Segundo a responsável, a iniciativa está alinhada com o Plano de Acção Nacional para a Conservação das Aves Marinhas e pretende reforçar a capacidade técnica, sobretudo na recolha e tratamento de dados, com vista à criação de uma base de dados nacional e de uma plataforma que permita a diferentes pessoas e instituições inserir informações sobre estas espécies.
Cabo Verde possui oito espécies de aves marinhas que se reproduzem no arquipélago, cinco das quais endémicas, sendo que novas espécies já começaram a reproduzir-se no país.
Ivandra Gomes destacou, contudo, o Gongon como a espécie mais ameaçada a nível nacional, devido à destruição de ninhos durante a limpeza de terrenos, à poluição luminosa e à presença de espécies invasoras.
O rabo de junco é outra espécie considerada vulnerável, sobretudo pela ocupação da orla costeira, que pode provocar a destruição de colónias instaladas em falésias.
A poluição luminosa será igualmente um dos temas em debate durante o workshop, tendo em conta os seus impactos nas aves marinhas e nas tartarugas marinhas, que realizam parte do seu ciclo reprodutivo durante a noite.
Ivandra Gomes sublinhou a importância nacional e internacional destas espécies, sobretudo porque cinco das oito que se reproduzem em Cabo Verde são endémicas.
“Se perdemos aqui, perde-se a nível mundial”, salientou, destacando ainda o papel das aves marinhas como indicadores da saúde do ambiente marinho e como auxiliares dos pescadores na identificação de cardumes.
Por sua vez, o director executivo da Associação Projecto Vitó, Herculano Dinis, explicou que a formação decorre durante três dias, combinando componentes teórica e prática, com enfoque na monitorização e seguimento das aves marinhas.
O responsável considerou “satisfatória” a participação dos parceiros, salientando que, apesar de o novo projecto ter começado há cerca de seis meses, já existe uma cobertura de monitorização nacional das oito espécies, além de duas outras espécies que começaram a reproduzir-se em Cabo Verde.
O workshop inclui ainda a troca de experiências entre técnicos das ONG e conta com a participação de dois voluntários internacionais, biólogos que frequentam cursos de mestrado.
Após a componente teórica com duração de um dia e meio a parte restante será dedicada a actividades práticas, incluindo trabalhos de campo na ilha Brava.
JR/CP
Inforpress/Fim
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