Fogo: Associação Projecto Vitó celebra 17 anos com foco na biodiversidade e novos desafios ambientais

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Fogo: Associação Projecto Vitó celebra 17 anos com foco na biodiversidade e novos desafios ambientais
21/04/26 - 02:12 pm

São Filipe, 21 Abr (Inforpress) - A Associação Projecto Vitó assinalou hoje os 17 anos da sua existência com foco na biodiversidade e novos desafios ambientais.

Ao assinalar o 17.º aniversário da sua criação, o presidente desta organização não-governamental, Paulo Pina, destacou um percurso marcado por sacrifício, dedicação e resultados concretos na conservação ambiental em Cabo Verde, particularmente na região Fogo/Brava e Ilhéus Rombos.

“Foram 17 anos de histórias, de muito sacrifício e trabalho”, disse o presidente do Projecto Vitó, que apontou como um dos principais desafios actuais a construção da sede própria, para a qual já foi adquirido um terreno.

Entre as prioridades estão ainda a gestão e cogestão de áreas protegidas, bem como a criação de uma nova área protegida na ilha Brava.

No âmbito da valorização da Reserva Mundial da Biosfera do Fogo, Paulo Pina destaca algumas iniciativas já implementadas, como a instalação de letreiros, a criação de um centro de interpretação em Chã das Caldeiras e a construção de um monumento dedicado à tartaruga. 

Ainda assim, defendeu a necessidade de novas ideias que reforcem a valorização da ilha enquanto reserva de biosfera.

O responsável evidencia também os resultados alcançados ao longo dos anos, com destaque para o trabalho desenvolvido na protecção de tartarugas, aves marinhas e reflorestação, que valeram reconhecimento nacional e internacional, incluindo a medalha de mérito atribuída pela Presidência da República. 

“Enquanto houver uma tartaruga, uma ave e pessoas disponíveis, o Projecto Vitó continuará”, afirmou.

Por sua vez, o director executivo, Herculano Dinis, ressaltou que, sobretudo na última década, a organização alargou significativamente a sua actuação, tornando-se uma das principais ONG ambientais do país. 

“Actualmente gozamos do estatuto de uma das principais ONG ambiental de Cabo Verde. Foi resultado de muito trabalho, não só de membros fundadores, mas de toda uma equipa que ao longo do tempo tem dado toda a capacidade para desenvolvimento de acções de protecção e conservação do ambiente”, disse Herculano Dinis.

A mesma fonte lembrou que o Projecto Vitó conta com uma equipa de cerca de 25 profissionais permanentes e desenvolve 11 projectos inseridos em oito programas de conservação.

Segundo Herculano Dinis, a forma como o ambiente é tratado na região mudou de forma visível, embora reconheça que ainda há desafios importantes pela frente, sobretudo face à vulnerabilidade de Cabo Verde às alterações climáticas. 

Dados indicam que cerca de 73 por cento (%) da flora está ameaçada de extinção e um numero elevado de fauna está nas mesmas condições o que reforça a urgência de acções de adaptação e mitigação das mudanças climáticas

O director da associação Projecto Vitó destacou o papel das parcerias, com o Governo, municípios do Fogo e Brava, instituições de ensino e organizações internacionais, como sendo fundamentais para a implementação dos projectos. 

Entre os financiadores, constam entidades da Suíça e universidades estrangeiras.

No plano social, o Projecto Vitó garante emprego permanente a 25 técnicos, número que pode atingir 60 trabalhadores em períodos sazonais, entre Junho e Outubro e a organização prepara o seu plano estratégico 2026/2030, com o objectivo de expandir os programas de conservação e reforçar o seu impacto.

Entre os projetos futuros, destacam-se a criação da maior área protegida marinha de Cabo Verde, com cerca de 10 mil quilómetros quadrados, a implementação da Reserva da Biosfera e o apoio à monitorização ambiental no Parque Natural do Fogo.

“Única ONG 100% cabo-verdiana na área ambiental”, o Projecto Vitó, como se assume, reafirma o compromisso de continuar a contribuir para a preservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável do país.

JR/AA

Inforpress/Fim

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