
São Filipe, 25 Fev (Inforpress) – O relatório de gestão e contas de 2024 da Empresa Intermunicipal de Águas (Águabrava) aponta um resultado líquido “negativo” de 31.717 contos, situação que preocupa os accionistas e reforça a necessidade de medidas estruturais para inverter a situação.
A informação foi avançada por Fábio Vieira, presidente da assembleia-geral da empresa, após a realização de reunião para apreciar as contas de 2024 e aprovar instrumentos de gestão para o ano económico de 2026.
Apesar das dificuldades registadas, as quatro câmaras municipais da Região Fogo/Brava, enquanto accionistas deram parecer favorável aos documentos previsionais, reconhecendo que os mesmos respondem às demandas e expectativas para o futuro da empresa.
Os instrumentos para 2026 preveem um conjunto de investimentos na mobilização, distribuição e melhoria das condições de abastecimento de água, tanto na ilha do Fogo como na ilha Brava.
Segundo Fábio Vieira, são intervenções que deverão contribuir para reforçar a qualidade da prestação de serviços e melhorar o quadro geral do abastecimento nas duas ilhas.
Entretanto, o relatório de gestão e contas de 2024 confirma um cenário financeiro adverso, com prejuízo significativo.
O resultado negativo foi aprovado e será aplicado em contas transitadas e segundo Fábio Vieira, perante este quadro, os accionistas recomendaram um conjunto de medidas de mitigação para reverter a situação.
Entre as recomendações consta a continuação do trabalho junto da Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME) para a revisão ordinária do tarifário em vigor desde 2020, a negociação com o Governo relativamente à gestão da água destinada à rega e à pecuária, com vista à obtenção de compensações pelo déficit tarifário.
Os accionistas sugerem ainda a fixação de um tarifário especial para as empresas públicas produtoras de água para consumo, sobretudo na ilha do Fogo, atendendo às especificidades e custos associados à captação, elevação e distribuição.
Outra recomendação passa pela promoção de um diálogo estruturado com outras operadoras de produção e distribuição de água, com o objectivo de criar uma frente comum de concertação com o Governo.
A intenção é garantir incentivos e um enquadramento nacional que assegure condições sustentáveis de exploração deste recurso essencial, referiu.
A administração foi instada a rever o modelo de negócio da empresa e a identificar novas fontes de financiamento, como a possibilidade de avançar para a actividade de engarrafamento de água, no âmbito de um novo modelo de governança que permita diversificar receitas e reforçar a sustentabilidade financeira.
Fábio Vieira acredita que há abertura do Governo para dialogar e encontrar soluções, sobretudo no que toca à compensação da água para rega e pecuária, um dos principais factores de pressão sobre as contas da empresa.
O objectivo é definir, a curto prazo, medidas concretas que permitam melhorar o desempenho financeiro da Águabrava e garantir a continuidade de um serviço considerado vital para as populações do Fogo e da Brava.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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