
São Filipe, 08 Set (Inforpress) - O ministro da Saúde e porta-voz do gabinete de crise, Lúcio Miranda, informou que os doentes hospitalizados após acidente no Fogo estão a evoluir favoravelmente e que dois serão transferidos hoje para o Hospital Dr. Agostinho Neto.
O governante fez o anúncio após uma reunião do gabinete de crise criado na sequência do acidente de viação ocorrido no sábado, dia 05, no trajecto Chã das Caldeiras/Campanas de Cima e que causou 25 mortos e 14 feridos.
Lúcio Miranda sublinhou que as acções consideradas prioritárias e de emergência após o trágico acidente já foram executadas, estando outras ainda em curso.
Segundo o governante, o gabinete de crise reuniu-se hoje para fazer o balanço das medidas adotadas e definir as próximas acções, sobretudo no acompanhamento das vítimas que permanecem hospitalizadas.
Lúcio Miranda explicou que, apesar de alguns pacientes apresentarem um quadro clínico grave, nomeadamente devido a traumatismos cranianos, abdominais e politraumatismos, a evolução tem sido favorável.
“Quando dizemos que a evolução é favorável, quer dizer que clinicamente os parâmetros vitais do paciente estão a melhorar”, esclareceu.
Um dos pacientes que inspira maiores cuidados será transferido ainda hoje para o Hospital Universitário Agostinho Neto, na Praia, onde poderá beneficiar de acompanhamento médico especializado durante um período prolongado.
O ministro justificou a decisão com a necessidade de optimizar os recursos disponíveis e garantir e não ter uma equipa especializada dedicada a um só paciente.
Outro paciente, cuja transferência estava prevista para segunda-feira, 07, seguirá igualmente hoje para o Hospital Universitário Dr. Agostinho, devido à necessidade de ser submetido a uma cirurgia electiva nos próximos dias.
Com estas transferências, a equipa médica deslocada da Praia e de São Vicente para apoiar as autoridades de saúde no Fogo regressará ainda hoje às respectivas ilhas.
Permanecem no Fogo 11 pacientes, todos considerados estáveis, comunicativos e com parâmetros vitais normais, sob acompanhamento da equipa médica local.
O ministro adiantou ainda que as autoridades estão a preparar medidas para apoiar os pacientes após a alta hospitalar.
A intenção, segundo explicou, é evitar que crianças e adolescentes regressem imediatamente às suas casas, tendo em conta o contexto de luto e as experiências traumáticas vividas pela comunidade.
Está a ser disponibilizado um espaço para acolher os doentes que necessitem desse apoio até à missa do 30.º dia.
Relativamente aos estudantes afectados pela tragédia, o Ministério da Saúde está a trabalhar com o Ministério da Educação e as escolas para preparar o regresso às aulas.
Uma das escolas perdeu 13 alunos, situação que, segundo Lúcio Miranda, terá impacto não apenas nos colegas directamente afectados, mas em toda a comunidade escolar.
Equipas de psicólogos estão a trabalhar com professores, orientando-os sobre como lidar com os alunos nos primeiros dias e como identificar eventuais sinais de perturbações psicológicas decorrentes da tragédia.
Por fim, o ministro apelou à população para não divulgar informações falsas ou imagens não confirmadas nas redes sociais.
Lúcio Miranda lembrou que os pacientes internados têm famílias e amigos e que, neste momento de elevada fragilidade psicológica, a divulgação de conteúdos falsos ou perturbadores pode agravar o sofrimento dos envolvidos.
JR/CP
Inforpress/Fim
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