FMI vê economia da Africa subsaariana a crescer 4,5% mas alerta para encargos com dívida

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FMI vê economia da Africa subsaariana a crescer 4,5% mas alerta para encargos com dívida
15/10/26 - 09:37 am

Banguecoque, 15 Out (Inforpress) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a previsão de crescimento da economia da África subsaariana este ano, para 4,5%, fruto das reformas levadas a cabo nos últimos anos, mas mantendo vulnerabilidades decorrentes dos elevados encargos com a dívida.

A previsão consta da Atualização das Perspetivas Económicas de África, hoje lançado no âmbito dos Encontros Anuais, que decorrem em Banquecoque, onde o FMI alerta que "o crescimento regional constante esconde experiências diferentes entre os países, com um abrandamento do crescimento nas economias não intensivas em recursos e uma resiliência contínua nas economias intensivas em recursos".

Os esforços que os governos africanos têm feito para desenvolver as suas economias, principalmente através de reformas que propiciam o desenvolvimento, "ajudaram a atenuar o choque da guerra no Médio Oriente", nomeadamente na contenção da inflação, que ainda assim deverá aumentar, de uma média de 3,4% em 2025 para 4,3% este ano e 5% em 2027.

"O ajustamento orçamental pré-guerra e a redução dos rácios da dívida constituem conquistas importantes, mas os elevados encargos com juros, as baixas reservas em muitos países, e a diminuição da ajuda deixam margem limitada para absorver outro choque adverso", avisa o FMI.

A média do rácio da dívida sobre o PIB deverá descer de 53% no ano passado para 51,7%, adianta, mas só o pagamento dos juros da dívida leva, em média, 12% das receitas.

Os principais riscos que o continente enfrenta incluem "novas perturbações no abastecimento energético, reavaliação da dívida soberana, novas reduções da ajuda e choques climáticos graves, especialmente o El Niño", que deverá ser particularmente gravoso na África Austral, onde estão Moçambique e Angola.

Em termos de recomendações, o FMI defende que as políticas "devem sustentar o ajustamento orçamental necessário, poupar os ganhos extraordinários temporários decorrentes das matérias-primas, direcionar o apoio às famílias vulneráveis e conter a inflação persistente". 

Neste contexto, "proteger o investimento produtivo e possibilitar o crescimento do setor privado são essenciais para tornar os choques futuros menos onerosos e melhorar os níveis de vida a longo prazo", concluem os economistas do FMI.

De acordo com o relatório do FMI, só Cabo Verde, com 5%, e a Guiné-Bissau, com 4,7%, crescem acima da média da região, cujas economias deverão expandir-se 4,5% este ano, mais 0,2 pontos percentuais que o previsto em abril.

Angola, com um crescimento de 4,4%, Moçambique, com 1% e São Tomé e Príncipe, com 0,4%, estão abaixo da média da África subsaariana, o mesmo acontecenco com a Guiné Equatorial, que mais uma vez registará uma recessão económica, desta feita de 1,7% em 2026.

ANO.................. 2025.....2026....2027

Angola .............  3,1     .....4,4......3,3

Cabo Verde......  6,3     .....5,0......5,0

Guiné-Bissau....  5,8.....     4,7 .....4,9

Guiné Equatorial. –5,8.....–1,7....–1,0

Moçambique.....   –0,2.....1,0......2,0

São Tomé e Príncipe .1,0.....0,4......1,9

Fonte: FMI - Atualização das Perspetivas Económicas de África, outubro de 2026

Inforpress/Lusa

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