Cidade da Praia, 15 Out (Inforpress) - O promotor Adriano Reis leva o Festival Internacional de Contos à Cidade Velha de sexta-feira, 16, a domingo, 18, para “reavivar a tradição oral e aproximar as histórias das escolas, famílias e comunidades da região”.
Em declarações à Inforpress, Adriano Reis, membro da Associação de Dinamização Ambiental, Social e Cultural (RJ ANIMA), afirmou que a iniciativa nasceu da sua ligação à Cidade Velha, no âmbito de uma trilogia de livros que escreveu sobre esta localidade, e da parceria com a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago.
O responsável referiu que o festival pretende recuperar o gosto pela arte de contar histórias e aproximar as novas gerações das tradições culturais cabo-verdianas, numa altura em que a narração oral perde espaço no quotidiano das famílias.
“Já não se conta história”, lamentou Adriano Reis, ao recordar contos tradicionais como o de Blimundo e a necessidade de devolver às famílias o hábito de transmitir histórias às crianças.
A programação inclui actividades nas escolas, com o propósito de aproximar os alunos da tradição oral e das diferentes variantes da língua materna cabo-verdiana.
A Escola Secundária do Salineiro será um dos espaços de realização das actividades, que também abrange alunos do ensino básico do município.
O festival conta com participantes de várias ilhas de Cabo Verde e de países de língua portuguesa, entre os quais São Tomé e Príncipe, Portugal e Brasil.
Angola e Timor-Leste também estarão representados numa sessão em formato online.
Segundo Adriano Reis, os convidados participam de forma voluntária, numa iniciativa que reúne diferentes culturas e sotaques em torno da palavra e da transmissão de histórias.
O programa prevê ainda, no sábado, 17, uma reflexão sobre a tradição oral em Cabo Verde, com representantes das ilhas, e um segundo painel dedicado à tradição oral no espaço lusófono.
Haverá momentos de narração de histórias e manifestações culturais na Cidade Velha.
Para o promotor, a tradição oral pode coexistir com as novas tecnologias e encontrar nelas novas formas de chegar ao público, sobretudo às crianças e aos jovens.
“Se estamos a fazer uma sessão online, quer dizer que a tradição também é capaz, integra o digital”, observou, pois, reforçou, existe a possibilidade de adaptar a narração de histórias aos meios digitais sem perder a sua essência.
Reis admitiu que a organização pretende levar o festival a outros concelhos e bairros do país, mas sublinhou que a continuidade da iniciativa dependerá da avaliação desta primeira edição.
KF/AA
Inforpress/Fim
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