Federação dos Estudantes Universitários alerta para impaciência da juventude na morosidade institucional

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Federação dos Estudantes Universitários alerta para impaciência da juventude na morosidade institucional
02/04/26 - 03:18 pm

Cidade da Praia, 02 Abr (Inforpress) – O presidente da Federação Nacional dos Estudantes e do Desporto Universitário (FNEDU), Alector Timas, afirmou hoje que a juventude cabo-verdiana está impaciente com a morosidade institucional e exige respostas céleres.

O posicionamento foi feito no âmbito da publicação do seu artigo científico intitulado “A Geração Que Não Espera: Juventude Cabo-verdiana, Progresso Real e a Urgência de Respostas nos Cinquenta Anos de uma Nação em Construção”, no qual analisa os avanços registados pelo país nas áreas da educação, economia, saúde e tecnologia digital.

No artigo, Timas aponta fragilidades estruturais, sobretudo na morosidade institucional e a burocracia excessiva, defendendo maior responsabilidade intergeracional e integração efectiva da juventude na tomada de decisões nacionais.

Em declarações à Inforpress, o jovem líder e Embaixador da Paz de Cabo Verde evidenciou que, nos 50 anos da independência, é crucial avaliar não só os ganhos históricos, mas também a capacidade do sistema de acompanhar as rápidas transformações sociais e tecnológicas.

“A juventude já criou sistemas de optimização de tempo, já desenvolveu soluções tecnológicas aplicáveis a praticamente todas as instituições do país. O que muitas vezes falta é uma resposta clara e em tempo útil”, afirmou.

Segundo aquele responsável, a burocracia excessiva trava o empreendedorismo jovem, freia a economia e põe em risco iniciativas promissoras.

“Há jovens que criam ‘startups’ com potencial de impacto imediato, mas que, por não obterem resposta célere, acabam por procurar oportunidades fora do país. Depois, quando alcançam sucesso no exterior, são aplaudidos internamente”, observou.

Na sua perspectiva, Cabo Verde consolidou-se ao longo de cinco décadas como “referência em estabilidade democrática e desenvolvimento humano”.

Contudo, considerou que persistem fragilidades estruturais ao nível da cultura organizacional e da flexibilidade institucional, factores que “limitam a capacidade de inovação e de integração efectiva” da juventude nos processos decisórios.

“A juventude não quer ser chamada apenas em períodos eleitorais. Quer participar, decidir e assumir responsabilidades na construção do país”, frisou, acrescentando que os estudantes cabo-verdianos estão hoje mais qualificados, fruto da expansão do ensino superior e do acesso a competências alinhadas com as exigências globais.

O mesmo sublinhou ainda que o país deve investir em orientação e mentoria para estudantes do ensino secundário e universitário, de modo a potenciar talentos e evitar a dispersão de capacidades.

Com este posicionamento, o líder estudantil reforça a necessidade de um novo pacto intergeracional que assegure maior eficiência institucional e integração efectiva da juventude nos próximos cinquenta anos de desenvolvimento nacional.

KA/SR//AA

Inforpress/Fim

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