
Cidade da Praia, 16 Jan (Inforpress) – O cardeal Dom Arlindo Furtado preside no dia 31 de Janeiro à cerimónia de bênção da primeira Fazenda da Esperança Feminina, uma data que coincide com a comemoração dos 493 anos da criação da diocese de Santiago.
Em declaração à Inforpress, padre Ronaldo de Lima, obreiro da referida construção, disse que, além da primeira-dama, Débora Katisa Carvalho, “madrinha nº 1 da Fazenda Feminina”, foram convidadas entidades políticas para a inauguração.
“Já temos cinco a seis mulheres inscritas e podem chegar à Fazenda na semana seguinte à inauguração”, indicou padre Ronaldo.
Entretanto, afirmou, neste momento, “por falta de carpinteiros”, estão a enfrentar algumas dificuldades na confecção das camas.
A Casa Feminina, conforme adiantou o sacerdote, tem capacidade para acolher 14 mulheres.
A sua experiência no Brasil tem-lhe revelado que a Fazenda da Esperança Feminina requer um outro tipo de tratamento para as pessoas.
“As mulheres são mais delicadas e têm feridas mais profundas do que os homens”, admitiu a fonte da Inforpress.
Segundo ele, por exemplo, se uma jovem chegar grávida para fazer o tratamento, mesmo assim, a instituição vai acolhê-la.
“Vamos oferecer todos os meios para que ela tenha uma gestação saudável, para que ela não queira abortar e tenha o seu filho com toda a dignidade”, apontou padre Ronaldo.
Entretanto, se a mulher já é mãe e tem filhos menores, a Fazenda acolhe-a com os seus descendentes para não os separar.
O sonho do padre Ronaldo era o de construir a Fazenda Feminina em São Jorginho, mas não aconteceu, não obstante o Governo o ter disponibilizado.
“O Governo, de facto, nos repassou aquele espaço em papel, em documento, mas São Jorginho foi invadido por pessoas que há anos estão lá e não querem sair”, lamentou o missionário.
A mesma fonte revelou que foi “destratado pelos ocupantes durante as tentativas de diálogo”.
Era seu sonho transformar São Jorginho num espaço também para adolescentes, porque estão a ser muito procurados por famílias e até instituições ligadas ao Governo, pedindo ajuda para acolher menores.
“Se o Estado achar por bem falar com as pessoas e retirá-las de lá e entregar-nos não apenas o documento, então vamos planear e desenvolver outras actividades que são necessárias para o país”, sugeriu o missionário.
A Fazenda Mãe da Esperança fica a cerca de 500 metros da Cadeia Central de São Martinho e vai acolher mulheres dependentes do álcool e outras drogas.
LC/AA
Inforpress/Fim
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