
Kiev, 22 Jun (Inforpress) – O Presidente da Ucrânia afirmou hoje que “pela primeira vez” os Estados Unidos (EUA) se mostraram dispostos a conceder a Kiev a licença para produzir mísseis 'Patriot' em território ucraniano.
“A equipa norte-americana reagiu, pela primeira vez, de forma positiva à questão da licença. Pela primeira vez”, disse Volodymyr Zelensky numa entrevista à televisão ucraniana.
“Era sempre: ‘Bem, não sabemos, talvez, vamos ver’ e, desta vez, disseram que vão resolver o problema para a Ucrânia”, continuou.
Enquanto se discutem os últimos detalhes sobre esta questão, Zelensky explicou que, através de um acordo recente com a Alemanha, a Ucrânia prevê receber cerca de 600 mísseis do sistema de defesa aérea ‘Patriot’ fabricados nesse país, graças à licença concedida por Washington a Berlim.
“A produção atual nos Estados Unidos é de cerca de 700 mísseis por ano, no máximo. Foram transferidas licenças para os alemães, que iniciaram a produção há algum tempo, e já assinámos um contrato com eles para uma quantidade significativa: 600 mísseis”, sublinhou o líder ucraniano.
No final de maio, Zelensky revelou que se tinha dirigido por carta ao Presidente norte-americano, Donald Trump, para solicitar não só um aumento do número de mísseis ‘Patriot’, mas também uma licença para poder fabricá-los em solo ucraniano.
O pedido surge num contexto de grave escassez deste armamento nas forças ucranianas, enquanto a Rússia prossegue com os seus ataques.
“Não há nada mais doloroso do que ver baterias ‘Patriot’ sem mísseis carregados”, afirmou Zelensky.
O Presidente ucraniano revelou também que propôs ao homólogo polaco, Karol Nawrocki, um encontro e uma conferência de imprensa conjunta, depois de ter devolvido no passado sábado a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração do Estado polaco que lhe foi retirada devido à polémica suscitada com a designação de uma unidade do exército ucraniano com referências a uma milícia acusada de massacres na Polónia.
Para Zelensky, a retirada desta condecoração responde mais a dinâmicas de política interna, a mais de um ano das próximas eleições parlamentares naquele país, e criticou o Nawrocki por pretender, tal como já fez o ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, obter ganhos eleitorais através do ódio.
“Foi isso que Orbán fez. É um mau negócio. Acho que vai acabar mal (…) a longo prazo, conduzirá a más relações entre as nações”, disse Zelensky, que lembrou a Nawrocki que é a Ucrânia que vive constantemente sob os bombardeamentos russos e “defende a Europa, incluindo a Polónia”.
“Para além das questões históricas, que, aliás, abordamos abertamente, deve haver respeito pelo presente, pelas nossas Forças Armadas e pelo futuro. Sem a Ucrânia, ninguém poderá proteger a Polónia. É simplesmente impossível: se a Ucrânia desaparecer, uma Polónia protegida deixa de existir”, afirmou.
Zelensky devolveu este fim de semana a Ordem da Águia Branca, no que foi, até agora, o último episódio de uma disputa diplomática que tem vindo a intensificar-se em torno da memória histórica partilhada por ambos os países e que tem sido motivo de controvérsia há décadas.
A decisão de Nawrocki de retirar a condecoração surge na sequência da aprovação, por parte de Zelensky, da designação de uma unidade militar com o nome de “Heróis da UPA”, que faz alusão ao Exército Insurgente Ucraniano (UPA), uma milícia paramilitar ultranacionalista acusada de massacres na Polónia durante a Segunda Guerra Mundial.
Inforpress/Lusa
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