
Cidade da Praia, 06 Fev (Inforpress) – O estudo preliminar sobre a percepção da mutilação genital feminina em Cabo Verde mostra que os profissionais de saúde não estão preparados para atender as sobreviventes da Mutilação Genital Feminina (MGF).
A informação foi avançada hoje à imprensa pela professora e investigadora da Universidade de Cabo Verde(Uni-CV), Deisa Semedo, no âmbito da apresentação do referido estudo.
Trata-se de um estudo realizado pela Uni-CV através do Centro de Investigação do Género e Família (CIGEF) em parceria com a Alta Autoridade para a Imigração, com o financiamento do Fundo das Nações Unidas para a População.
Tem por objecto geral, conhecer a percepção sobre a prática do fenómeno da mutilação genital feminina no seio da população imigrante em Cabo Verde e de seus impactos na saúde sexual e reprodutiva em diferentes perspectivas.
Abrangeu cerca de 50 e tal pessoas de entre as quais, mulheres sobreviventes à prática e maridos ou mulheres de imigrantes, grupos de profissionais de saúde, além de associações de imigrantes e instituições nacionais em Cabo Verde que trabalham com imigrantes.
De entre os principais resultados, o estudo realça que o risco da prática da MGF em Cabo Verde é real, pese embora não haja registo de casos realizados no país.
“Temos um grupo mais resistente que ainda considera a prática necessária, manifestando intenção em fazer isso nas suas filhas, mesmo que para isso signifique ir para o seu país de origem e nunca mais regressar”, sublinhou, apontando por outro lado o sentimento de consciência dos riscos para algumas pessoas das comunidades imigradas.
Revelou ainda que os profissionais de saúde não estão preparados para atender as sobreviventes da MGF e as primeiras reações quando atendem as mulheres nas estruturas de saúde são de espanto, surpresa e constrangimento.
“As sobreviventes, na sua maioria, são detectadas durante a fase de gravidez e pré-natal. Neste sentido, os profissionais da atenção primária poderiam articular-se com o Hospital para sinalizar essas gestantes”, recomenda o estudo que justifica que a falta de preparo pode impactar negativamente o acolhimento e a qualidade do atendimento prestado às mulheres submetidas à MGF.
Aponta, de entre os desafios, a ausência de uma discussão ampla sobre o tema nos serviços de saúde, de orientação clínica para boas práticas no atendimento de utentes e o facto de não haver orientações para o registo formal das mulheres mutiladas que permita saber o número de sobreviventes atendidas.
Ao presidir ao evento, a secretária de Estado da Inclusão Social, Lídia Lima, felicitou as instituições promotoras pela “determinação” em trazer esse tema para reflexão conjunta entre a sociedade civil e as instituições do Estado.
Reconheceu a necessidade de o país capacitar os profissionais da saúde para lidarem convenientemente com essas situações, afirmando que o Governo quer que todas as crianças e adolescentes que vivem em Cabo Verde, sejam verdadeiramente protegidos nos seus direitos, os quais estão salvaguardados pela Constituição e demais leis da República.
ET/ZS
Inforpress/Fim
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