
Calheta, 27 Out (Inforpress) – Autoridades sanitárias reforçaram hoje o alerta para os riscos de exposição à esquistossomose em Santiago Norte, numa altura em que a época das chuvas aumenta a preocupação com o contacto com água doce.
Em declarações à Inforpress, a delegada de Saúde de São Miguel, Antonieta Fonseca Lopes, indicou que o município tem registado casos da doença nos últimos anos, tendo apontado os primeiros casos em 2022, 42 casos em 2023, 27 em 2024, 108 até Outubro de 2025 e 54 em 2026.
Segundo a responsável, desde os primeiros casos começaram a ser tomadas “as devidas medidas” e ainda estão a decorrer os trabalhos no terreno, em articulação com a Câmara Municipal de São Miguel, a Delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) e outras estruturas, com acções de sensibilização junto das comunidades e das escolas.
Informou que hoje uma equipa do INSP se encontra no terreno a realizar estudos malacológicos, que incluem a recolha de caracóis para identificar a presença dos hospedeiros intermediários envolvidos na transmissão da doença, cujos resultados deverão contribuir para compreender melhor a distribuição destes moluscos e os riscos de transmissão.
Antonieta Fonseca Lopes reconheceu que apesar dos esforços de sensibilização ainda as pessoas continuam a tomar banho em tanques e noutros locais de água doce, o que aumenta a preocupação dos serviços de saúde.
Por seu turno, a directora da Região Sanitária Santiago Norte, Ludmila Miranda, alertou que a esquistossomose pode inicialmente não apresentar sintomas, mas também provocar dores abdominais, sangue na urina e comichão. A longo prazo, a infecção pode causar complicações graves, incluindo cancro da bexiga.
A responsável pediu a realização de estudos de prevalência para identificar as comunidades afectadas e pesquisas para determinar a presença de caracóis transmissores nos diferentes municípios de Santiago Norte, tendo em conta as características ambientais.
As autoridades sanitárias apelam à população para evitar o contacto com água doce em cachoeiras, barragens, tanques e riachos.
Quem tiver estado exposto e apresentar sintomas deve procurar uma estrutura de saúde para avaliação, diagnóstico e tratamento atempados.
Especialistas defendem o reforço da investigação científica e da vigilância epidemiológica para compreender a evolução da esquistossomose em Cabo Verde.
O cientista Maximiano Fernandes afirmou que os estudos realizados em São Miguel permitiram identificar casos assintomáticos e detectar caracóis do género Bulinus, potenciais hospedeiros intermediários do parasita, em alguns locais.
As autoridades sanitárias têm igualmente reforçado os rastreios nas comunidades, a investigação ambiental e laboratorial, e as acções de sensibilização, enquanto prosseguem os estudos para determinar a distribuição dos caracóis e confirmar a presença de formas infectantes do parasita.
MC/AA
Inforpress/Fim
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