
Cidade da Praia, 23 Jul (Inforpress) – O músico, produtor musical e sonoplasta Paulo Renato Mariano de Figueiredo, conhecido como Paló, considera que Portugal abriu novas oportunidades para a música cabo-verdiana, embora o mercado se tenha tornado progressivamente mais competitivo.
Em entrevista à Inforpress, Paló afirmou que a experiência de actuar e trabalhar em Portugal permitiu-lhe acompanhar uma fase de crescente reconhecimento da música cabo-verdiana, mas também as profundas transformações registadas no sector nas últimas décadas.
Segundo recorda, quando chegou a Portugal muitos portugueses começavam a descobrir a riqueza da música cabo-verdiana, interesse que se reflectia na afluência aos concertos e na curiosidade em conhecer novos artistas, sonoridades e expressões culturais.
Entre a comunidade cabo-verdiana residente em Portugal, acrescenta, os espectáculos constituíam igualmente momentos de convívio e reencontro, em que a música reforçava a ligação ao país de origem e às suas referências culturais.
Na sua perspectiva, essa dupla realidade contribuiu para a expansão da música cabo-verdiana em Portugal. Enquanto o público português descobria novos intérpretes e géneros musicais, a diáspora desempenhava um papel importante na preservação e divulgação desse património.
Do ponto de vista profissional, Portugal oferecia igualmente melhores condições para o exercício da actividade artística, com maior número de espaços para actuar, mais regularidade de espectáculos e um mercado mais estruturado do que o existente em Cabo Verde.
Contudo, observa que o sector se alterou profundamente, com o aumento do número de artistas, a diversificação da oferta musical e a evolução da indústria do espectáculo, factores que tornaram o mercado mais competitivo.
A pandemia de covid-19 agravou essa realidade, com o encerramento de salas de espectáculo e a suspensão de concertos, afectando músicos, técnicos e produtores e interrompendo projectos durante vários meses.
Para Paló, esse período evidenciou a vulnerabilidade da profissão e a necessidade de criar mecanismos de apoio capazes de responder a situações de crise, tendo em conta que muitos profissionais dependem quase exclusivamente dos espectáculos ao vivo.
Apesar das dificuldades, mantém uma visão optimista sobre o futuro da música cabo-verdiana, considerando que a circulação internacional dos artistas, a diáspora e as plataformas digitais continuam a criar novas oportunidades para a projecção da cultura cabo-verdiana.
Na sua opinião, o principal desafio passa por conciliar essa crescente projecção internacional com o investimento na qualidade artística, na formação dos músicos e na profissionalização do sector.
Paló considera que a evolução da música cabo-verdiana demonstra que o talento existente no país é hoje reconhecido muito para além das ilhas, cabendo agora aos profissionais preservar essa identidade e adaptá-la às exigências de um mercado cada vez mais global e competitivo.
JMV/CP
Inforpress/Fim
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