ENTREVISTA: Paló destaca espírito de entreajuda como um dos legados da música cabo-verdiana

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ENTREVISTA: Paló destaca espírito de entreajuda como um dos legados da música cabo-verdiana
23/07/26 - 09:34 am

Lisboa, 23 Jul (Inforpress) – O músico, produtor musical e sonoplasta Paulo Renato Mariano de Figueiredo, conhecido como Paló, considera que o espírito de entreajuda entre músicos constitui um dos principais legados da música cabo-verdiana e marcou todo o seu percurso artístico.

Em entrevista à Inforpress, recordou um episódio ocorrido pouco depois da sua chegada a Lisboa. Depois de telefonar a Tito Paris para o cumprimentar, foi convidado para tocar no espectáculo que o cantor realizava nessa noite, sem qualquer ensaio prévio e com uma guitarra emprestada.

Segundo Paló, esse episódio ilustra a disponibilidade que sempre encontrou entre músicos cabo-verdianos para partilhar conhecimentos, criar oportunidades e apoiar colegas, numa relação assente na confiança e no respeito mútuo.

Afirma ter encontrado esse ambiente de colaboração no grupo Finaçon e voltado a vivê-lo em diversos projectos desenvolvidos em Cabo Verde e em Portugal, onde, mais do que relações profissionais, construiu amizades que perduram há décadas.

Ao recordar o percurso, prefere destacar o contributo dos músicos, técnicos de som, produtores e restantes profissionais dos bastidores, defendendo que a história da música cabo-verdiana não pode ser contada apenas através dos intérpretes mais conhecidos.

Ao longo da carreira, garante nunca ter procurado protagonismo, afirmando que o seu principal objectivo sempre foi contribuir para a qualidade dos espectáculos e das gravações, independentemente da posição ocupada em palco.

Durante mais de quatro décadas de actividade, acompanhou a evolução tecnológica da produção musical, a transição dos sistemas analógicos para os digitais, o aparecimento de novos géneros musicais e a crescente internacionalização da música cabo-verdiana.

Apesar dessas transformações, considera que a humildade, a disciplina e o respeito pelo trabalho colectivo continuam a ser os pilares de uma carreira duradoura.

Quando faz o balanço do percurso, diz recordar sobretudo as pessoas com quem trabalhou e as aprendizagens acumuladas ao longo dos anos, mais do que os concertos realizados ou o reconhecimento alcançado.

Paló defende ainda que o legado de um músico não se mede apenas pelas gravações ou pelos espectáculos, mas também pela influência que exerce sobre os profissionais com quem trabalha e sobre as novas gerações.

Nesse sentido, manifesta disponibilidade para partilhar a experiência acumulada com jovens músicos e produtores, sustentando que a transmissão de conhecimentos constitui uma responsabilidade de quem beneficiou da aprendizagem proporcionada por outros profissionais.

Para Paló, esse espírito de entreajuda continua a ser uma das maiores riquezas da música cabo-verdiana e um dos factores que explicam a sua afirmação dentro e fora do país.

JMV/CP

Inforpress/Fim

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