
Cidade da Praia, 25 Jul (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano Dai Varela considerou que a literatura infantil continua subvalorizada em Cabo Verde e defendeu políticas públicas estruturadas para promover a leitura, apoiar o sector editorial e reforçar a valorização das obras destinadas às crianças.
Em entrevista à Inforpress, o autor, editor e jornalista rejeitou a ideia de que a literatura para crianças seja um género menor, atribuindo essa percepção à reduzida valorização das infâncias e do livro.
"Claro que é uma ideia errada, mas baseada num contexto. Esse contexto é o de uma sociedade que ainda mostra dificuldades em valorizar as infâncias e, consequentemente, as produções para essas infâncias", afirmou.
Segundo Dai Varela, esta realidade traduz-se em dificuldades para escritores, ilustradores e editoras, devido à escassez de apoios públicos e privados e às limitações na distribuição dos livros.
"Estamos numa luta desigual para ter apoio e financiamento dos decisores públicos e privados e, ao mesmo tempo, fazer chegar o livro ao público leitor", sustentou.
O escritor defendeu que a literatura para as infâncias desempenha um papel determinante na formação das novas gerações e recordou que, em vários países, constitui um dos principais pilares da indústria editorial.
Na sua opinião, os apoios pontuais à publicação ou os prémios literários não resolvem os problemas do sector, defendendo antes políticas públicas permanentes para promover a leitura, fortalecer as editoras e incentivar a circulação do livro.
Para Dai Varela, esse objectivo passa pela criação de um ecossistema do livro que envolva famílias, escolas, bibliotecas, editoras e o Estado, de forma a fomentar hábitos de leitura desde a infância e valorizar a produção literária cabo-verdiana.
JMV/CP
Inforpress/Fim
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