
Cidade da Praia, 27 Jul (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano Dai Varela defendeu o reforço do apoio público às editoras nacionais, considerando que um sector editorial mais forte é essencial para aumentar a produção, circulação e acesso ao livro em Cabo Verde.
Em entrevista à Inforpress, o escritor, editor e jornalista afirmou que as políticas públicas para o livro devem privilegiar a criação de um ecossistema editorial sustentável, em vez de se limitarem ao apoio pontual a autores ou à publicação de obras.
Segundo Dai Varela, o desenvolvimento da leitura depende também da capacidade das editoras para se estruturarem, profissionalizarem e alargarem a circulação dos livros.
"Muito mais do que apoiar autores, o Estado deve apoiar as editoras para que possam estruturar-se melhor, formalizar a sua actividade e criar empregos", afirmou.
O escritor considerou que o sector continua confrontado com elevados custos de produção e distribuição, defendendo a criação de um Fundo de Apoio à Edição e aos Livreiros para reduzir os encargos com impressão, logística e comercialização.
Defendeu igualmente incentivos fiscais para a produção de livros, nomeadamente através da redução dos custos de importação de papel, tintas e equipamentos de impressão, por considerar que o Estado beneficiará mais da massificação da leitura do que da receita fiscal obtida com esses materiais.
Na sua perspectiva, é ainda necessária formação em gestão empresarial e contabilidade dirigida às pequenas editoras, muitas das quais continuam a operar na informalidade.
Dai Varela propôs também a criação de uma Associação Nacional de Editores e Livreiros para representar o sector junto dos poderes públicos e participar na definição das políticas para o livro.
Defendeu ainda a revisão do modelo de distribuição da Taxa de Compensação Equitativa pela Cópia Privada, considerando que as verbas geradas por este mecanismo devem abranger igualmente o sector editorial.
Para Dai Varela, o reforço das editoras constitui um passo decisivo para dinamizar o mercado do livro, incentivar a leitura e consolidar a indústria cultural cabo-verdiana.
JMV/CP
Inforpress/Fim
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