ENTREVISTA: Dai Varela diz que "Tufas, Princesa Crioula" nasceu para dar às crianças cabo-verdianas uma heroína com quem se identifiquem

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ENTREVISTA: Dai Varela diz que "Tufas, Princesa Crioula" nasceu para dar às crianças cabo-verdianas uma heroína com quem se identifiquem
26/07/26 - 05:11 pm

Cidade da Praia, 26 Jul (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano Dai Varela afirmou que criou a personagem "Tufas, Princesa Crioula" para oferecer às crianças cabo-verdianas uma heroína inspirada na sua realidade, identidade e cultura, reforçando a auto-estima e o sentido de pertença.

Em entrevista à Inforpress, o escritor explicou que a obra surgiu da vontade de criar uma personagem cabo-verdiana com a qual as crianças se pudessem identificar, contrariando a predominância de referências estrangeiras na literatura e no imaginário infantil.

Segundo Dai Varela, a personagem foi inspirada em Luna Veríssimo, co-autora dos primeiros livros da colecção, cuja participação foi determinante na construção da personalidade da protagonista.

"Queria que as crianças pudessem sonhar com uma princesa que lhes fosse próxima e que mostrasse que a beleza, a inteligência, a coragem e a bondade também têm rosto cabo-verdiano", afirmou.

O autor explicou que, ao contrário das princesas tradicionais, Tufas não é definida por um castelo ou por uma coroa, mas pela curiosidade, pela empatia e pela vontade de aprender.

"Queria ter uma criança protagonista a falar para crianças, a ter lugar de fala e destaque na capa", sublinhou, recordando que grande parte dos livros infantis publicados em Cabo Verde continua a apresentar adultos ou animais como personagens principais.

Dai Varela defendeu que a literatura para as infâncias deve contribuir para reforçar a auto-estima e o sentido de pertença das crianças, permitindo-lhes reconhecer-se nas personagens e nas histórias.

Além de "Tufas, Princesa Crioula", a colecção inclui os títulos "Aprendendo as Palavras Mágicas" e "Caixa das Desculpas", dedicados a temas como o respeito, a empatia e a educação emocional através de narrativas adaptadas ao universo infantil.

Segundo o escritor, o propósito não é transmitir lições de forma directa, mas criar histórias que levem os leitores mais jovens a identificar-se com as escolhas, os erros e as conquistas das personagens, estimulando a reflexão e a construção de valores.

Para Dai Varela, escrever para as crianças constitui também uma forma de afirmar a identidade cultural cabo-verdiana e de demonstrar que as histórias do arquipélago podem chegar a leitores de qualquer parte do mundo.

JMV/HF

Inforpress/Fim

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