
Cidade da Praia, 25 Mai (Inforpress) – O dono da embarcação localizada na costa do estado do Pará, no Brasil, Leny Martins, afirmou hoje não dispor condições financeiras para a repatriação do navio, mas apontou possível corte do cabo de amarração.
Em declarações à Inforpress, o armador explicou que antes do desaparecimento, a embarcação esteve vários dias em actividade entre a Boa Vista, Santiago e outras zonas de pesca, num contexto de sucessivas saídas sem captura significativa de pescado gerando dificuldades financeiras e dívidas acumuladas, em torno de 500 mil escudos.
Segundo relatou, após comunicação inicial à Capitania dos Portos, o caso foi posteriormente remetido ao Instituto Marítimo e Portuário (IMP) e à Direção-geral das Pescas, tendo as autoridades nacionais iniciado contactos formais com o Brasil para confirmação da localização da embarcação
Segundo a mesma fonte, a embarcação esteve em actividade normal até sábado de manhã, tendo sido ainda avistada pela população durante a noite, fundeada no mar e visível devido à luz instalada no topo do mastro, que permanece ligada 24 horas.
De acordo com o relato, no domingo por volta das 16:00, já não foi possível avistar a embarcação no local, tendo moradores indicado que não a viram desde a manhã, acreditando inicialmente que o barco teria sido deslocado para a praia para operações de carregamento de combustível, hipótese que o armador rejeita.
“Eu não levei o barco para lado nenhum”, afirmou.
Segundo o Leny Martins, com base na sua experiência de pesca, tudo indica que o desaparecimento terá ocorrido durante a madrugada, uma vez que o último avistamento confirmado ocorreu ainda na noite anterior.
“Se às 22:00 as pessoas ainda viram o barco, então tudo indica que desapareceu de madrugada”, explicou.
A embarcação, parcialmente financiada pelo Estado ao nível de motores, guincho, equipamentos de navegação e tanque de combustível, está avaliada em cerca de 11 mil contos e tem o nome “Deus Seja Louvado”.
O armador referiu ainda que realizou uma verificação técnica por conta própria, com apoio de um mergulhador, junto ao ponto de fixação do cabo da embarcação no fundo do mar.
Segundo disse, a inspeção confirmou que o cabo de amarração teria sido cortado, embora não possa afirmar se o corte foi provocado por acção humana ou por factores naturais, como correntes marítimas.
“Não posso afirmar que foi alguém ou a corrente, mas o cabo foi cortado”, declarou.
O local não dispõe de câmaras de vigilância, o que, segundo Leny Martins, mais conhecido por Keita, dificulta o esclarecimento das circunstâncias do desaparecimento.
As autoridades continuam a acompanhar o caso, enquanto decorrem contactos com o Brasil após a localização da embarcação na costa do estado do Pará, onde terá sido avistada à deriva.
KA/AA
Inforpress/Fim
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