
Cidade da Praia, 21 Jul (Inforpress) – O director financeiro e de Gestão de Pessoas da CVTelecom defendeu hoje que a auto-liderança constitui a base de uma liderança eficaz, sublinhando que ninguém consegue liderar os outros sem antes conhecer e saber liderar a si próprio.
Carlos Cruz fez estas declarações à Inforpress à margem do primeiro encontro sobre Liderança Prática da Comunidade Lusófona, que decorre no final desta tarde, na cidade da Praia, para debater uma nova fase da liderança em Cabo Verde, onde foi um dos convidados para partilhar experiências de liderança prática.
Segundo explicou, a sua intervenção no encontro centra-se em experiências da sua vida pessoal relacionadas com a auto-liderança.
“Qualquer líder, para poder liderar os outros, tem antes de tudo de ter na base a sua auto-liderança. Se não se conhecer a si próprio, não poderá liderar os outros”, afirmou este responsável financeiro.
Sobre o estado da liderança em Cabo Verde, considerou que o país ainda tem um longo percurso a fazer, defendendo uma maior inclusão social e o reforço da literacia como factores essenciais para formar melhores líderes e fortalecer a resposta dos liderados.
Segundo explicou, uma sociedade mais inclusiva favorece relações assentes na ética, no respeito e na empatia.
Questionado sobre os principais desafios da liderança de equipas no contexto cultural cabo-verdiano e lusófono, destacou a “gestão da diversidade” como um dos maiores desafios das organizações.
Conforme explicou, mesmo dentro de uma única empresa coexistem diferentes gerações, culturas, perfis e formas de pensar, exigindo dos líderes capacidade de adaptação, escuta activa e compreensão para responder às necessidades de cada colaborador.
“Um líder tem de conseguir lidar com diferentes públicos, adequar a forma de funcionar de cada um, escutar e compreender para poder posicionar-se junto dos liderados”, sustentou.
Enquanto director financeiro e de Gestão de Pessoas da CVTelecom, rejeitou qualquer incompatibilidade entre a gestão financeira e a gestão de pessoas, defendendo que ambas se complementam.
Na sua perspectiva, o domínio dos números permite fundamentar decisões e explicar políticas internas aos colaboradores, contribuindo para a sustentabilidade das organizações.
“Implementar políticas apenas com o coração ou para agradar a todos pode comprometer a sustentabilidade da empresa”, alertou.
Sobre os resultados de uma cultura organizacional assente numa liderança saudável, afirmou que a estabilidade laboral na CVTelecom constitui um dos principais indicadores desse sucesso.
Segundo referiu, em cerca de 27 anos de trabalho na empresa apenas ouviu falar de greves no período em que ingressou na organização, considerando que os colaboradores, de uma forma geral, demonstram satisfação com o ambiente de trabalho.
Relativamente à evolução do perfil do líder em Cabo Verde, apontou a aceleração provocada pela tecnologia como a principal mudança dos últimos anos.
Na sua opinião, embora as ferramentas e os métodos tenham evoluído para acompanhar um contexto mais dinâmico, os princípios fundamentais da liderança permanecem inalterados.
“O que muda é a velocidade com que as coisas acontecem. A base continua a ser a auto liderança para depois gerir os outros”, afirmou.
Deixou uma mensagem a todos líderes para colocarem sempre o respeito e a empatia no centro da sua actuação.
“É preciso respeitar o outro, colocar-se no lugar do outro e não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que nos fizessem. Hoje procura-se cada vez mais um líder que saiba mobilizar as pessoas”, concluiu.
DG/HF
Inforpress/Fim
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