
Cidade da Praia, 30 Jul (Inforpress) - O director da Rádio de Cabo Verde (RCV), Marcos Fonseca, negou hoje as alegações de perseguição profissional ao jornalista Elvis Neves e afirmou que o profissional não integra a equipa da emissora desde Abril.
Em declarações à Inforpress, em reacção ao comunicado divulgado pela Associação dos Jornalistas de Cabo Verde (Ajoc), a mesma fonte indicou que Elvis Neves foi transferido para a Televisão de Cabo Verde (TCV), passando a estar sob a tutela da direcção daquele órgão de comunicação social.
Segundo este responsável, o jornalista não foi designado para assegurar a cobertura do Campeonato Africano das Nações (CAN), em Marrocos, para a RCV, uma vez que ele não pertence à emissora e que há um outro profissional destacado para essa missão.
“ Elvis Neves não é jornalista da RCV desde Abril. É jornalista da TCV e depende da direcção da televisão. Não foi autorizado a representar a rádio nem levou equipamentos da nossa emissora para trabalhar, porque não foi indicado para fazer a cobertura da RCV”, afirmou.
Marcos Fonseca contestou igualmente o teor do comunicado da Ajoc, divulgado na segunda-feira, 27, no qual a associação denunciou uma alegada perseguição profissional e o bloqueio de peças jornalísticas do jornalista nas antenas da rádio pública.
Na sua perspectiva, a associação fez acusações sem apresentar provas e sem ouvir a sua versão dos factos.
"A Ajoc fala de alegadas perseguições sem provas. Uma associação sindical não pode emitir comunicados com base em alegadas, sobretudo quando integra um centro de verificação de factos”, declarou.
O director da RCV sustentou ainda que a associação “violou o princípio do contraditório” ao divulgar o comunicado sem o contactar previamente para obter a sua posição.
“A Ajoc nunca me contactou e emitiu um comunicado baseado apenas numa das partes. Isso é grave para uma associação que defende a liberdade de expressão, porque todos têm direito ao contraditório”, disse.
Marcos Fonseca revelou que já apresentou uma queixa à Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC) contra a Ajoc, por considerar que foi acusado sem ter sido previamente ouvido.
A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (Ajoc) condenou no dia 27 às alegadas perseguições profissionais e interferência editorial sobre o jornalista Elvis Neves, da RCV, exigindo garantias para a liberdade de imprensa.
Em nota enviada à Inforpress, a Ajoc manifestou "profunda preocupação" com as denúncias apresentadas pelo profissional contra o director da RCV, Marcos Fonseca, a quem imputa a adoção de decisões "arbitrárias e persecutórias" nos últimos meses.
Entre as irregularidades apontadas pelo jornalista constam limitações no exercício de funções na antena, desconfiança institucional reiterada e exigências funcionais sem devido enquadramento contratual nem compensação pecuniária, nomeadamente a atribuição não assinada de tarefas de editor.
A Ajoc considera também preocupante o alegado bloqueio de reportagens enviadas por Elvis Neves durante a cobertura da Selecção Nacional Feminina de Futebol na Taça das Nações Africanas, em Marrocos, onde peças terão sido travadas ou editadas para remoção da sua voz e identificação.
DG/AA
Inforpress/Fim
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