Dia Mundial da Água: Praienses registam com tristeza e preocupação escassez de água nas torneiras em pleno século XXI

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Dia Mundial da Água: Praienses registam com tristeza e preocupação escassez de água nas torneiras em pleno século XXI
21/03/25 - 03:33 pm

Cidade da Praia, 21 Mar (Inforpress) – Alguns praienses registam com alguma “tristeza e preocupação” a escassez de água nas torneiras, onde em pleno século XXI, ainda famílias dependem de uma lata ou barril de água nos chafarizes ou através de autotanques.

As pessoas manifestaram esse sentimento quando abordadas pela Inforpress a propósito do Dia Mundial da Água assinalado anualmente a 22 de Março.

Esta data foi criada em 1992, visando alertar a população sobre a importância da preservação da água para a manutenção de todos os ecossistemas no planeta.

Nesta abordagem, alguns cabo-verdianos e cabo-verdianas não admitem a ideia de em pleno século XXI, sendo a água um bem essencial à vida, existirem ainda famílias a padecer “miséria e penúria de água”, sobretudo a nível da cidade da praia.

“Isto é uma situação generalizada. Podemos ter algumas excepções de alguns bairros onde o fornecimento pode estar melhor, mas a situação geral, no país, é preocupante e nada animadora, porque mexe com a questão da higiene, saúde pública... Cabo Verde é um país de desenvolvimento médio, mas ainda não conseguimos garantir bens básicos como a água, energia e saneamento, por exemplo”, manifestou Madalena Carvalho.

Continuando o seu raciocínio, conta que se se afastar um pouquinho da cidade da Praia, e se deitar um olhar para o interior de Santiago, encontra-se ainda localidades onde as pessoas “fazem festa” por causa da inauguração de uma torneira no chafariz, porquanto andam quilómetros para conseguirem um pouco de água, quanto mais não seja, famílias dependem da criação de gado e agricultura.

“Há que fazer uma reflexão séria sobre a situação da água no país e na Praia, especialmente, dar atenção às coisas que são realmente valiosas, como a água. O Governo deve trabalhar para que a população, os moradores das diferentes localidades tenham acesso garantido de água 24/24 horas, para que as pessoas vivam com qualidade e mais felizes”, exteriorizou.

Seguindo pelo mesmo diapasão, Matilde Gonçalves disse que Cabo Verde tornou-se num país com várias empresas que gerem água, nomeadamente Águas de Santiago (AdS), Água de Rega, Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS), “mas não tem água, isso sem falar, seu custo”, completou.

Também criadores de gado e agricultores se queixam da falta desse líquido tão precioso do planeta, ao mesmo tempo que chamam a atenção das pessoas no sentido de uma melhor orientação e utilização consciente desse bem.

Uns e outros analisam, contudo, que Cabo Verde, sendo rodeado pelo mar, e com escassez da chuva, dado às alterações climáticas, entendem que a solução seria recorrer à aposta da dessalinização da água em todas as ilhas, bem como a construção de barragens para amparar a água da chuva, onde for necessário.

Tratando-se de um tema considerado de “extrema importância” as pessoas consideram que deve ser objecto de abordagem nas igrejas, palestras, recintos desportivos, escolas, onde quer que a oportunidade se apresente, contribuindo assim, para tomada de consciência, evitar gastos e consumo de forma desmedida deste bem indispensável à vida.

O ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Lima, reconheceu recentemente que Santiago é a ilha que, neste momento, tem muito mais desafios em termos de acesso à água.

 “A ilha que neste momento tem muito mais desafios é a Santiago, por ser a ilha maior, nós temos 56% de população na ilha de Santiago, nove municípios e temos várias zonas com dificuldades de acesso”, apontou Gilberto Silva à imprensa à margem da IV reunião do Comité de Pilotagem do Programa Água e Saneamento, realizada em Fevereiro último.

Relativamente ao acesso à água potável, segundo o governante, em 2016, o rácio era de cerca de 43 litros por pessoa por dia, e actualmente já ultrapassa os 74 litros, e para 2026, a meta é alcançar 90 litros.

Este avanço, segundo a mesma fonte, é resultado de investimentos nas redes de distribuição e nas estações de bombagem e implementação de sistemas de produção de energia fotovoltaica que permitiram reduzir os custos e garantir o fornecimento contínuo de água, mesmo em zonas de difícil acesso.

SC/ZS

Inforpress/Fim

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