
Cidade da Praia, 19 Mar (Inforpress) - O sociólogo Paulino Moniz chamou hoje atenção para algumas formas de celebração do Dia do Pai nas escolas que podem constituir "autêntico sofrimento" às crianças sem presença paterna, apelando para modelos mais inclusivos e sensíveis à diversidade familiar.
Em entrevista à Inforpress, no âmbito do Dia do Pai assinalado hoje, o também membro da direcção da Rede Laço Branco Cabo Verde chamou a atenção para práticas comuns nas escolas, como a solicitação de redações ou homenagens aos pais, que podem expor emocionalmente crianças em contextos familiares mais frágeis.
“Quando, às vezes, nas escolas se pede às crianças para fazer uma composição para o seu pai. É um trabalho, mas, muitas vezes, uma criança que não tem pai, não tem o registo do pai ou uma criança que o pai tem uma participação negativa na sua vida, às vezes é convidada a inventar, a fingir,” exemplificou.
De igual forma, Paulino Moniz afirmou que, ao organizar encontros com pais, é essencial incluir não apenas o pai, mas também mães, tios, avós ou outras figuras de referência, garantindo que cada criança possa participar acompanhada e evitar que aquelas sem a presença do pai se sintam excluídas.
“O desafio é que as instituições comecem a pensar em, talvez, modelos de reflexão, modelos de actividade que atingissem menos as crianças", defendeu, para quem o Dia do Pai deve ser, sobretudo, um momento de reflexão sobre o exercício da paternidade e o papel dos homens na sociedade.
Paulino Moniz realçou que o Dia do Pai é um dia santo, dia de São José que na história bíblica, é a figura de pai de Jesus Cristo.
“Mas, não é um pai biológico. Ele é um pai social, e na história se formos ver no contexto, na época, nenhum homem assumiria Jesus Cristo nas condições em que ele nasceu. Mas, São José enfrentou toda a sociedade, assumiu o seu filho, e fez com que ele se tornasse um dos melhores filhos da humanidade”, precisou.
Daí que sublinhou que enquanto homens e cristãos, é “importante” reflectir sobre como se está a assumir a paternidade, não apenas em relação aos filhos biológicos, mas também aos que a vida confia, por meio da figura do pai social.
Na sua perspectiva, avós, tios, padrinhos, vizinhos, professores ou padrastos podem desempenhar este papel, contribuindo para a educação e protecção das crianças.
Segundo assegurou, a Rede Laço Branco Cabo Verde tem trabalhado na conscientização sobre a importância da paternidade em Cabo Verde, que nos últimos anos, conforme observou, tem registado mudanças positivas, com maior participação dos pais em encontros escolares, tarefas domésticas e cuidados com os filhos.
Entretanto, lamentou que ainda cerca de 50% dos pais não convivem com os filhos, o que limita sua presença afectiva e educativa, ressaltando ainda que conflitos conjugais e violência doméstica impactam directamente o desenvolvimento psicológico e emocional das crianças.
O Dia do Pai é uma data comemorativa que homenageia anualmente os pais, sendo que a data varia de acordo com os países.
ET/ZS
Inforpress/Fim
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