
Cidade da Praia, 01 Nov (Inforpress) - O padre Constantina considera que o Dia de Todos os Santos, celebrado hoje, representa uma das solenidades mais importantes da Igreja Católica, por assinalar a vocação de todos os cristãos à santidade e recordar aqueles que alcançaram essa condição.
Em declarações à Inforpress a propósito da efeméride, o sacerdote explicou que a solenidade constitui o “grau mais elevado das celebrações litúrgicas da Igreja Católica", razão pela qual, mesmo quando coincide com um domingo, como acontece este ano, prevalece sobre a celebração dominical.
Segundo José Constantina, a data recorda que todos os seres humanos são chamados por Deus à santidade, uma vocação que, apesar de comprometida pelo pecado, foi restituída por Jesus Cristo através da possibilidade de libertação e perdão.
O padre explicou que, além dos santos oficialmente reconhecidos e canonizados pela Igreja, existem muitos outros que não foram declarados santos, mas que também alcançaram essa condição, sendo igualmente lembrados nesta solenidade.
“Pode ser o meu pai e a minha mãe que já morreram e que são santos”, exemplificou, acrescentando que estes constituem modelos para os cristãos na caminhada espiritual e podem interceder junto de Deus pelas necessidades dos fiéis.
Instado sobre a diferença entre o Dia de Todos os Santos e o Dia dos Fiéis Defuntos, celebrado a 02 de Novembro, José Constantina esclareceu que as duas datas estão intimamente ligadas, uma vez que a primeira celebra os que alcançaram a santidade e a segunda recorda os que morreram e necessitam de purificação para chegar à presença de Deus.
A celebração do dia 01 de Novembro em Cabo Verde está também ligada à tradição agrícola, à religiosidade popular e aos costumes comunitários, constituindo uma ocasião em que as famílias partilham e degustam os primeiros produtos das colheitas do ano, num gesto de gratidão pela produção e de valorização da cultura rural.
Explicou à Inforpress que, num ano agrícola normal, a chegada desta data coincide com o período em que as famílias começam a consumir o milho novo e outros produtos colhidos nos seus campos, uma tradição profundamente ligada ao ritmo das chuvas e à vida das comunidades rurais.
Para o padre Constantina, há uma ligação entre a celebração religiosa e a tradição cabo-verdiana de degustar, nesta data, os primeiros produtos das colheitas e considerou a ocasião um “momento de agradecimento a Deus pelo alimento e pelos frutos da terra”.
“É um momento de dar graças a Deus por termos uma boa colheita”, disse, para depois sublinhar que tudo o que o ser humano recebe constitui um dom divino.
Questionado se a realização de um encontro da Igreja Universal do Reino de Deus com o bispo Edir Macedo, no Estádio Nacional, no mesmo dia, em que os cabo-verdianos celebram o Dia de Todos os Santos, não constitui uma provocação, o pároco de Nossa Senhora do Socorro assegurou não saber se a escolha da data representa uma afronta à Igreja Católica.
José Constantina defendeu, contudo, o respeito pela liberdade religiosa, salientando que não existe competição entre as igrejas e que todas devem ter liberdade para realizar as suas actividades em espaços públicos.
“Se nos provocarem, nós responderemos com caridade”, concluiu.
LC/CP
Inforpress/Fim
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