
Cidade da Praia, 22 Mar (Inforpress) – Escritor, poeta, artista plástico e crítico, Dany Spínola é uma das figuras multifacetadas da cultura cabo-verdiana, transformando a criação artística numa forma contínua de existência e interpretação do mundo.
Natural de Ribeira da Barca, no concelho de Santa Catarina, ilha de Santiago, Daniel Euricles Spencer Rodrigues Spínola cresceu entre referências culturais e uma inquietação precoce pela palavra escrita, que mais tarde se transformaria no eixo central da sua vida profissional e intelectual.
Em 2026, assinala 35 anos de carreira e mais de 40 obras publicadas, entre poesia, ficção, ensaio e crítica, consolidando uma trajectória que o coloca entre os nomes mais prolíficos da cultura cabo-verdiana contemporânea.
É que ao longo de mais de três décadas, construiu um percurso marcado pela persistência e pela multiplicidade de linguagens artísticas, transitando entre literatura, artes visuais e intervenção cultural, sempre com uma ligação estreita à promoção da identidade cabo-verdiana.
Presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA) e uma das vozes mais activas na defesa da criação literária no país, Dany Spínola afirma que a sua relação com a arte não se limita a um exercício profissional, mas a uma necessidade vital.
“Para mim, escrever é como viver. É uma necessidade, como comer ou beber. Quando escrevo, sinto que revivo e me transformo”, afirmou, em declarações à Inforpress, no âmbito do Dia Mundial da Poesia.
A sua trajectória é marcada por uma construção intelectual contínua, sustentada pela leitura e pelo contacto permanente com diferentes formas de conhecimento, elementos que considera “indispensáveis” para qualquer processo criativo consistente.
Na sua visão, a criação literária não nasce do acaso nem da repetição, mas de um percurso de maturação interna, onde a experiência de vida e a formação cultural se cruzam de forma permanente.
“A poesia é algo que nasce. Se for forçada, não resulta”, sublinha, defendendo que a autenticidade artística depende de um equilíbrio entre disciplina, sensibilidade e liberdade criativa.
Entre a espontaneidade da poesia e a estrutura da prosa, Dany Spínola reconhece que o trabalho do escritor exige rigor, mas também uma abertura constante à imaginação e à observação do mundo.
Essa dualidade acompanha toda a sua produção artística, que se estende também às artes plásticas, onde encontra outra forma de expressão e leitura simbólica da realidade.
Ao longo da sua carreira, disse, esteve ligado a projectos editoriais, programas culturais em rádio e televisão e iniciativas de promoção da literatura, desempenhando um papel activo na divulgação de autores e na dinamização do debate cultural.
Apesar da intensidade da sua produção, o autor rejeita a ideia de que o valor da criação dependa da validação externa, afirmando que o essencial está no próprio acto de criar.
“Ser lido não me dá tanta satisfação como escrever. O mais importante para mim é o processo de criação”, refere.
O mesmo assume-se como um criador em permanente construção, para quem a arte não representa um ponto de chegada, mas um movimento contínuo entre reflexão, prática e reinvenção.
Hoje, entre livros, telas e projectos culturais, mantém-se fiel à mesma convicção: “a criação não é apenas uma profissão, mas uma forma de estar no mundo, inquieta, permanente e, acima de tudo, necessária”.
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Inforpress/Fim
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