
Cidade da Praia, 01 Set (Inforpress) – O escritor e professor Daniel Cardoso Lopes, vencedor de três prémios literários nacionais em 2026, afirmou hoje que as distinções transformaram a sua perspectiva sobre a escrita e servirão de incentivo para se dedicar à literatura cabo-verdiana.
Em declarações hoje à Inforpress, o autor natural da ilha do Fogo confessou que, apesar da esperança ao submeter as suas propostas sob pseudónimo, não esperava conquistar três das quatro distinções a que concorreu.
“Quando me disseram que tinha vencido aquele primeiro prémio, fiquei muito contente e grato por ter participado”, afirmou, confessando que, embora acompanhasse há algum tempo o lançamento de concursos literários, nunca demonstrara real interesse em concorrer.
Desta vez, explicou, decidiu avançar por acreditar que tinha condições para participar, uma decisão que acabou por resultar na conquista do Prémio Literário Eugénio Tavares, do Prémio Literário Jorge Barbosa e do Prémio de Literatura Infantojuvenil Orlanda Amarílis.
O professor do ensino secundário realçou igualmente a forma como os concursos foram organizados, particularmente a utilização de pseudónimos nos manuscritos submetidos à apreciação dos júris.
O autor disse ainda ter ficado satisfeito com a valorização atribuída aos seus textos, sobretudo por considerar que as apreciações dos júris reconheceram elementos nos quais também acreditava enquanto autor.
Daniel Lopes participou em quatro concursos literários e, segundo explicou, submeteu dois textos a cada um deles, número máximo permitido pelos regulamentos, tendo conseguido vencer três das quatro distinções.
Com “O que o mar não leva”, conquistou o Prémio Literário Eugénio Tavares 2026, promovido pelo Ministério da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto, através do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, em parceria com a Cabo Verde Telecom.
Já “Tratado de Escassez”, submetido sob o pseudónimo “Vento Leste”, valeu ao autor o Prémio Literário Jorge Barbosa 2026.
A terceira distinção foi alcançada com “Marta descobre as palavras que nunca tinha usado”, vencedora do Prémio de Literatura Infantojuvenil Orlanda Amarílis – Edição 2026.
Para Daniel Lopes, as três distinções poderão representar uma mudança no seu percurso, até agora também ligado à escrita sobre educação e investigação.
“Agora posso passar a interessar-me mais pela literatura”, afirmou o autor, que possui licenciatura e mestrado em Língua Portuguesa e admite vir a apostar em formação e produção nesta área.
Acrescentou que as avaliações feitas pelos júris lhe permitiram olhar de outra forma para a própria capacidade de escrita e encarar a literatura como uma área na qual poderá continuar a trabalhar e contribuir, particularmente para a literatura e a língua cabo-verdianas.
O autor manifestou ainda interesse em compreender melhor as necessidades existentes no panorama literário nacional, de forma a orientar futuros trabalhos e dar o seu contributo para aumentar a produção escrita cabo-verdiana.
Os prémios Eugénio Tavares e Jorge Barbosa atribuem, cada um, 400 mil escudos, enquanto o Prémio de Literatura Infantojuvenil Orlanda Amarílis contempla 200 mil escudos, totalizando um milhão de escudos em prémios pecuniários.
As três distinções contemplam igualmente a edição das respectivas obras vencedoras com a chancela do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde.
DR/CP
Inforpress/Fim
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