Curso de medicina da Uni-CV representa um saldo de soberania formativa em Cabo Verde - ministro

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Curso de medicina da Uni-CV representa um saldo de soberania formativa em Cabo Verde - ministro
22/09/25 - 04:20 pm

Cidade da Praia, 22 Set (Inforpress) – O ministro da Saúde considerou hoje que o curso de medicina da Uni-CV representa um saldo de soberania formativa em Cabo Verde ressaltando, entretanto, a necessidade de enfrentar desafios actuais para garantir a continuidade e qualidade da formação.

Jorge Figueiredo fez estas considerações ao presidir à abertura do III Fórum Nacional de Educação Médica que acontece durante dois dias na Uni-CV, para assinalar os 10 anos da formação médica em Cabo Verde.

O evento visa reflectir sobre as conquistas, analisar os desafios actuais e traçar o futuro da formação de profissionais de saúde no país.

“Estamos aqui a celebrar 10 anos de um marco histórico, a formação médica em território nacional”, afirmou Jorge Figueiredo, sublinhando que a primeira turma iniciada em 2015, já resultou em dezenas de profissionais.

Para o ministro, a criação do curso representa um “saldo de soberania formativa”, permitindo ao país formar os profissionais médicos de que precisa.

No entanto, alertou para os desafios ainda existentes, como a forte dependência da cooperação externa, com 13% da força médica activa em 2025 composta por médicos estrangeiros, além das assimetrias na distribuição geográfica dos profissionais.

O elevado custo das evacuações médicas externas, assim como a consolidação e expansão da formação médica, garantindo qualidade pedagógica, aumento do número de vagas e especializações em áreas críticas, são outros desafios apontados pelo governante.

“O Governo, por meio do Ministério da Saúde, já está elaborando o Plano Estratégico de Formação Médica para 2025-2045, com o objectivo de aumentar o número de médicos e especialistas formados no país, reduzir a dependência externa e assegurar a presença de pelo menos dois especialistas em Medicina Geral e Familiar em todos os centros de saúde até 2030”, assegurou.

Aos estudantes de Medicina incentivou-os a serem protagonistas da transição de Cabo Verde de país dependente na formação médica afirmando que os seus talentos, o compromisso e a resiliência serão a chave para enfrentar os desafios epidemiológicos, tecnológicos e sociais que o país tem pela frente.

O curso de Medicina da Uni-CV, lançado em 2015 em parceria com a Universidade de Coimbra, foi concebido para formar médicos capazes de atender às necessidades específicas do sistema de saúde cabo-verdiano.

Desde então, muitos dos profissionais formados já se integraram no sistema nacional da saúde, contribuindo para a prestação de cuidados médicos à população.

No entanto, apesar do progresso, a comunidade médica, incluindo estudantes e recém- formados, enfrenta desafios, como a limitação ou inexistência de especializações médicas em Cabo Verde, o que força estudantes e médicos a buscar formação fora do país, o reconhecimento internacional do diploma e a falta de um plano robusto para a integração dos recém-formados no sistema nacional de saúde.

ET/ZS

Inforpress/Fim

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