
Cidade da Praia, 26 Jul (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano Dai Varela defende que os festivais e grandes eventos culturais são importantes, mas advertiu que não podem substituir uma estratégia pública de longo prazo para a cultura e a formação.
Em entrevista à Inforpress, o escritor, editor e jornalista afirmou que Cabo Verde tem assistido ao crescimento da chamada "cultura dos eventos", fenómeno que considera positivo para a dinamização económica e turística, mas insuficiente como política cultural.
Segundo Dai Varela, os grandes espectáculos e festivais conquistaram um lugar central no imaginário colectivo e influenciam a percepção da população sobre o desempenho dos responsáveis políticos.
"Quanto mais eventos são realizados, maior tende a ser a percepção de dinamismo e de proximidade com a população. A nossa população e os nossos políticos são, de certa forma, reféns disso", afirmou.
O autor reconheceu que iniciativas como o Carnaval geram impacto económico, atraem visitantes e dinamizam diversos sectores de actividade, considerando legítimo o investimento nestas manifestações culturais.
Contudo, defendeu que esse investimento deve ser acompanhado por políticas estruturadas para o desenvolvimento cultural e humano.
"Os eventos não podem substituir uma estratégia cultural de longo prazo", sublinhou.
Na sua perspectiva, essa estratégia deve contemplar a formação dos agentes culturais, a profissionalização do sector, a protecção social dos trabalhadores da cultura, o incentivo à leitura e o fortalecimento das indústrias criativas.
Dai Varela alertou igualmente para a situação de muitos profissionais da cultura que continuam a exercer actividade na informalidade, o que poderá traduzir-se em dificuldades sociais no futuro.
"O entretenimento é importante, mas as competências são ainda mais importantes para Cabo Verde", defendeu.
Para o escritor, a aposta na educação, na literacia e na qualificação das pessoas é essencial para assegurar um desenvolvimento cultural sustentável, capaz de gerar oportunidades económicas e reforçar a identidade nacional.
JMV/HF
Inforpress/fim
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