Coordenadora da EMAEI defende sensibilização para que inclusão escolar em São Miguel não se limite a documentos

Inicio | Sociedade
Coordenadora da EMAEI defende sensibilização para que inclusão escolar em São Miguel não se limite a documentos
09/03/26 - 12:15 pm

Calheta, 09 Mar (Inforpress) – A coordenadora da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI) de São Miguel, Constantina Monteiro, defendeu hoje que a inclusão escolar exige sensibilização permanente da comunidade educativa para evitar que planos educativos individuais se tornem apenas documentos formais.

Em entrevista à Inforpress, Constantina Monteiro explicou que, sempre que a equipa recebe uma sinalização de aluno com necessidades educativas especiais, a prioridade não deve ser apenas a elaboração do Plano Educativo Individual (PEI), do Currículo Específico Individual ou de relatórios técnicos.

Segundo a responsável, antes da produção destes documentos é necessário desenvolver um trabalho de mediação e sensibilização junto de professores, famílias e outros intervenientes, de forma a garantir que as medidas educativas definidas sejam realmente aplicadas no quotidiano escolar.

“O objectivo é evitar que o PEI ou o Currículo Específico Individual fiquem na gaveta. Estes instrumentos devem orientar o trabalho pedagógico diário e ajudar a criar respostas concretas para cada aluno”, afirmou.

A coordenadora explicou que a EMAEI de São Miguel está estruturada com cinco profissionais das áreas de psicologia clínica, sociologia e educação especial, contando ainda com duas professoras responsáveis pelo atendimento educativo individual. Contudo, a cobertura das diferentes localidades do concelho continua a ser um dos principais desafios.

De acordo com Constantina Monteiro, as características geográficas de São Miguel, com comunidades dispersas, dificultam a presença regular da equipa técnica em todas as escolas.

Embora exista transporte disponível na delegação, a frequência das deslocações é condicionada por agendas multissetoriais, o que limita o acompanhamento presencial nas zonas mais afastadas.

Outro constrangimento identificado é a falta de materiais pedagógicos adaptados em algumas escolas, sobretudo aquelas com maior número de alunos sinalizados com necessidades educativas especiais.

Entre os recursos considerados essenciais estão tecnologias assistivas, materiais visuais e jogos educativos que facilitam a implementação do currículo específico individual.

A coordenadora apontou também desafios relacionados com o contexto social, nomeadamente a participação das famílias. Em determinadas localidades, explicou, factores socioeconómicos condicionam o envolvimento dos encarregados de educação, o que dificulta a continuidade das estratégias educativas fora da escola.

Apesar dessas dificuldades, Constantina Monteiro sublinhou que o concelho tem registado progressos no domínio da educação inclusiva, indicando que actualmente, São Miguel conta com 49 alunos sinalizados com necessidades educativas especiais, sendo a maioria acompanhada através de Planos Educativos Individuais.

A responsável defendeu que a inclusão deve ir além da simples integração do aluno na escola regular, implicando adaptações pedagógicas e mudanças de atitude para garantir que todos os estudantes possam participar e aprender em igualdade de oportunidades.

Entre os resultados positivos, destacou a formação em deficiência visual e leitura em braile realizada no ano lectivo 2015/2016, com apoio do Ministério da Educação, que permitiu reforçar o atendimento especializado e contribuir para o sucesso académico de alunos com cegueira, alguns dos quais prosseguiram para o ensino superior.

A EMAEI trabalha ainda em articulação com a Câmara Municipal de São Miguel, a Delegacia de Saúde e o Centro de Apoio à Vítima (CAV), parceiros que colaboram na implementação de medidas educativas especiais no concelho.

Para Constantina Monteiro, a inclusão é “um processo contínuo, feito de pequenas conquistas diárias”, que exige cooperação entre escola, família e comunidade para garantir que nenhum aluno fique para trás.

MC/CP

Inforpress/Fim

Partilhar