Cooperação Espanhola considera Cabo Verde um exemplo para África em termos de respeito e promoção dos direitos LGBTIQ+

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Cooperação Espanhola considera Cabo Verde um exemplo para África em termos de respeito e promoção dos direitos LGBTIQ+
17/01/25 - 04:14 pm

Cidade da Praia, 17 Jan (Inforpress) – A coordenadora da Cooperação Espanhola em Cabo Verde considerou hoje o arquipélago como um exemplo de respeito e promoção dos direitos LGBTIQ+ para o continente africano, onde a homossexualidade continua a ser ilegal e punível em muitos casos.

Estas afirmações foram feitas por Patrícia Ramos durante o acto de apresentação pública dos resultados do estudo sobre a “Percepção da população cabo-verdiana acerca da comunidade LGBTQI+”.

O estudo foi realizado pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG) com o apoio financeiro da Cooperação Espanhola, através da Associação Triângulo.

De entre os principais resultados, o estudo revelou, entretanto, que 54% dos cabo-verdianos é “pouco ou nada tolerante” com pessoas LGBTIQ+, enquanto 38% percebem que eles próprios têm atitudes de baixa aceitação, além de destacar atitudes discriminatórias.

Para esta responsável, conhecer as percepções da população sobre a comunidade LGBTIQ+ é “essencial” para a formulação de políticas públicas inclusivas que enfrentem a discriminação e promovam a plena cidadania para todas as pessoas.

Tendo em consideração que muitas pessoas desta comunidade continuam a enfrentar estigmas sociais e desafios relacionados à aceitação em suas próprias famílias, defendeu que superar normas sociais negativas e profundamente enraizadas exige mais do que a legislação.

“Requer educação e sensibilização contínua e a longo prazo. Esse é um esforço que organizações da sociedade civil e instituições públicas assumem com coragem e dedicação, muitas vezes enfrentando a realidade de recursos limitados e apoio insuficiente”, disse.

Na sua perspectiva, é “fundamental” fortalecer esses esforços para promover uma verdadeira transformação social e a concessão de políticas públicas que respondam às realidades dos colectivos e não deixam ninguém para trás.

“O financiamento de projectos e iniciativas em andamento é uma das melhores formas de continuarmos avançando”, afirmou, sublinhando que Cabo Verde tornou-se um exemplo para a África, em termos de respeito e promoção dos direitos LGBTIQ+.

Isto porque, argumentou, o arquipélago contrasta com muitos países do continente africano onde a homossexualidade continua a ser ilegal e, em muitos casos, punível com penas severas, incluindo a morte.

A presidente do ICIEG, Marisa Carvalho, aproveitou o momento para agradecer o apoio concedido para a execução deste trabalho, que fornece, conforme salientou, um manancial de dados que permitem adequar as políticas públicas às demandas e necessidades concretas de um “grupo vulnerável que cada vez mais precisa de ser compreendido e apoiado”.

ET/ZS

Inforpress/Fim

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