
Cidade da Praia, 06 Abr (Inforpress) – A Comissão Multissetorial da Instância Nacional de Coordenação da Abordagem “Uma Só Saúde” realizou hoje mais uma reunião estratégica para alinhar as respostas de Cabo Verde aos desafios sanitários e ambientais.
Em declarações à Inforpress, a presidente do Instituto Nacional da Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, afirmou que a instância se reúne em sessões bimestrais para analisar temas transversais que unem a saúde humana, animal e ambiental.
Em destaque, refere, estiveram o controlo da peste suína em São Nicolau, a situação da shigelose no Sal e a crescente preocupação com a proliferação de ratos em Santiago.
“Um dos pontos centrais da agenda foi a atualização sobre a peste suína africana na ilha de São Nicolau. Segundo as autoridades da Direção-geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária (DGASP), a situação está sob controlo”, realçou, salientando que o foco reside na implementação de estratégias de comunicação e alerta para evitar o alastramento do vírus a outras ilhas do arquipélago.
Relativamente aos casos de shigelose detectados na ilha do Sal, Maria da Luz Lima avançou que a Comissão confirmou no encontro que não houve registo de óbitos. Para fortalecer a resposta local, o INSP anunciou o reforço das capacidades laboratoriais na ilha, com a abertura de uma unidade de bacteriologia que se junta ao já existente laboratório de biologia.
Quanto à “crescente presença de roedores” no interior de Santiago, que também entrou na pauta de discussões, a Comissão sublinhou a necessidade de uma estratégia conjunta que envolva os municípios e a comunidade.
O objetivo é dar combate a proliferação de ratos através do saneamento e do uso de raticidas, prevenindo doenças graves como a leptospirose e a hantavirose.
Com a aproximação do calor e da época das chuvas, a plataforma “Uma Só Saúde” prepara também o habitual reforço do plano de luta antivetorial, focando-se em concelhos mais vulneráveis como a Praia, São Filipe e Boa Vista, de forma a manter o país protegido contra a malária e o dengue.
Para além das questões domésticas, a reunião abordou o acompanhamento de surtos internacionais, como a meningite B no Reino Unido.
“São temas sempre transversais que envolvem a segurança alimentar, a resistência antimicrobiana e a gestão de resíduos”, referiu a porta-voz da reunião, sublinhando que o plano multissetorial já em curso define indicadores específicos para monitorizar o impacto destas ações coordenadas.
A instância está dividida em três níveis de atuação, o interministerial (político), o estratégico, presidido pelo INSP e com direções nacionais, e o operacional, serviços no terreno, garantindo que a resposta a crises sanitárias seja rápida e integrada.
Criada em 2017 e oficializada em 2019, a Comissão Multissetorial da Instância Nacional de Coordenação da Abordagem “Uma Só Saúde” integra os sectores da Saúde, Ambiente e Agricultura para responder a ameaças que não respeitam fronteiras entre espécies.
PC/AA
Inforpress/Fim
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