Cidade da Praia acolhe oficinas de execução técnica da cimboa para formadores

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Cidade da Praia acolhe oficinas de execução técnica da cimboa para formadores
13/03/25 - 07:35 pm

Cidade da Praia, 13 Mar (Inforpress) – A Cidade da Praia foi palco, esta tarde, de uma oficina de formação para formadores sobre a execução técnica da cimboa, um instrumento musical monocórdio utilizado antigamente, sobretudo, no acompanhamento do batuque.

No âmbito das iniciativas de salvaguarda do património cultural da cimboa, estas oficinas para formadores fazem parte de um projecto mais amplo de preservação e promoção deste instrumento, com o objectivo de garantir a continuidade do saber-fazer tradicional e a sua inserção na cena musical contemporânea de Cabo Verde.

Em declarações à imprensa, Carla Semedo, directora do Património Imaterial do Instituto do Património Cultural (IPC), afirmou que o objectivo é capacitar formadores para ensinar a execução técnica da cimboa a outros interessados, incluindo alunos e professores envolvidos no programa da Bolsa de Acesso à Cultura.

“Esta acção de formar formadores é um passo fundamental para garantir a transmissão do conhecimento sobre o instrumento, assegurando a sua perpetuação nas comunidades”, acrescentou Carla Semedo.

Segundo a mesma fonte, as sessões abordam, além da execução técnica, a integração da cimboa em novas produções musicais, expandindo o seu uso para além dos géneros tradicionais como o Batuque e o Funaná.

Com esta iniciativa, o IPC espera que a cimboa, além de preservar as suas raízes culturais, seja reconhecida como um instrumento apto para novas criações musicais, atraindo a atenção das gerações mais jovens.

Carla Semedo garantiu que, ao capacitar formadores sobre a confecção e execução da cimboa, o saber será transmitido de forma contínua, revitalizando e mantendo o instrumento vivo tanto dentro como fora de Cabo Verde.

Esta acção faz parte de um projecto maior, que inclui a criação de um catálogo científico sobre a cimboa, a ser lançado em Abril de 2025. O catálogo reunirá informações sobre a história do instrumento, as suas origens, os mestres que o preservaram e o seu papel na cultura cabo-verdiana.

Por sua vez, o mestre Pascoal salientou que, ao procurar materiais no Senegal e na Guiné-Bissau, em vez de recorrer a fontes mais distantes, como o Paraguai, o IPC também busca criar uma rede mais próxima e sustentável.

Em relação à formação na confecção da cimboa, o mestre Pascoal frisou que este tipo de formação é essencial e exige um conhecimento especializado, o qual precisa ser compartilhado de forma contínua para que as futuras gerações possam manter a tradição.

A cimboa foi classificada como património cultural de salvaguarda urgente em 2022, sendo um instrumento tocado de forma semelhante ao violino, ou seja, friccionando a corda do arco sobre a corda do instrumento.

JBR/ZS

Inforpress/Fim

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