Ciclismo/Nacional: Presidente da federação e seleccionadora fazem balanço positivo mas alertam para os desafios orçamentais e exigências internacionais

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Ciclismo/Nacional: Presidente da federação e seleccionadora fazem balanço positivo mas alertam para os desafios orçamentais e exigências internacionais
26/07/26 - 06:23 pm

Espargos, 26 Jul (Inforpress) – O presidente da Federação Cabo-verdiana de Ciclismo, Marques Mendes, e a seleccionadora nacional, Ana Vigário, consideraram hoje “positivo” os três dias do Campeonato Nacional de Ciclismo, no Sal, apontando os custos como os principais constrangimentos.

Em declarações à imprensa, Marques Mendes destacou o sucesso da sétima edição da prova, sublinhando que houve um verdadeiro "acasalamento entre o desporto e o turismo" numa ilha acolhedora.

“Trouxemos alegria para a ilha do Sal. Foi uma festa e um ciclismo inclusivo, onde conseguimos juntar vários escalões etários para realizar as provas de estrada e contra-relógio, que são os requisitos essenciais para cumprirmos os nossos compromissos além-fronteiras com a União Ciclistica Internacional”, afirmou o dirigente.

Apesar do sucesso e dos apoios institucionais, o presidente da federação não escondeu as dificuldades financeiras e logísticas enfrentadas para erguer o evento.

“Os transportes marítimos e aéreos continuam a ser um desafio enorme pelo custo elevado e pela irregularidade. O nosso orçamento era muito miúdo e tornou-se ainda mais pequeno porque gastamos a maior parte do bolo em transportes, alimentação e alojamento”, apontou.

Marques Mendes chamou ainda a atenção para a necessidade de conscientizar os motoristas para a partilha das estradas com os ciclistas e lembrou que o ciclismo é uma modalidade dispendiosa, onde uma bicicleta adequada custa entre 70 a 100 contos.

No que tange aos compromissos internacionais e ao posicionamento de Cabo Verde, que caiu da 8.ª para a 14.ª posição no ranking africano devido à falta de comparência em competições continentais, o líder federativo traçou o cenário para os próximos tempos.

“A nossa participação no Campeonato Africano está na forja, mas temos garantida a presença na Volta a Angola e recebemos o convite da UCI para o Campeonato do Mundo no Canadá. Recebemos também o convite para o Tour do Brasil, que é a última janela para pontuar, mas ainda não temos financiamento garantido”, explicou.

Segundo a mesma fonte, o nacional vai dar-lhes alguns pontos, mas é muito pouco.

Por sua vez, a seleccionadora nacional, Ana Vigário, enalteceu a “adesão recorde” de praticantes e o nível técnico demonstrado ao longo dos três dias de competição.

“É a primeira vez que temos tantos atletas a participar num Campeonato Nacional, desde os cadetes e juniores até à categoria elite. Tivemos percursos magníficos e provas bastante competitivas com atletas muito promissores”, salientou.

A técnica apontou, contudo, para a necessidade de melhorias na preparação individual dos atletas, nomeadamente, nos métodos de treino, nutrição e avaliações físicas.

“Em Cabo Verde ainda não temos as melhores condições e materiais para estas avaliações. O Eliezer, por exemplo, teve de ir a Portugal para treinar e fazer esses testes. Espero que no futuro consigamos ter esse material cá para dar essa oportunidade a todos”, frisou.

Lançando um olhar sobre o futuro e a capacidade de Cabo Verde vir a acolher provas internacionais, Ana Vigário deixou um desafio a todas as entidades desportivas.

“Se todos nos unirmos, as pessoas que gostam de ciclismo, o IDJ, o Comité Olímpico e os municípios, conseguiremos fazer aqui uma prova com a chancela da UCI” concluiu a seleccionadora nacional.

NA/HF

Inforpress/Fim

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