CCS classifica medidas de emergência do Governo como “balão de oxigénio" e reclama apoios extras para importadores

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CCS classifica medidas de emergência do Governo como “balão de oxigénio" e reclama apoios extras para importadores
31/03/26 - 03:55 pm

Cidade da Praia, 31 Mar (Inforpress) - A Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) reagiu positivamente à aprovação da Resolução nº 63/2026, que introduz medidas excepcionais para travar a escalada de preços em Cabo Verde, apesar de manifestar preocupação com a execução financeira.

Em declarações à Inforpress, para falar das medidas aprovadas pelo Governo através da Resolução n.º 63/2026, o vice-presidente da CCS, Frantz Tavares, considerou esta intervenção como um “travão necessário” à inflação, mas alertou para a necessidade de agilidade nos pagamentos e propõe novos mecanismos de apoio ao comércio e importação.

A suspensão da actualização automática de preços até 30 de Junho de 2026, segundo disse, foi recebida com pragmatismo pela CCS, mas a fixação de um tecto de 2% para o gasóleo de electricidade e fuelóleo é vista como uma decisão “crítica” para o sector.

Ainda segundo Frantz Tavares, sem este limite, a volatilidade dos custos de aquisição — que já supera os 25% — teria um impacto “devastador” na produção nacional e na factura energética das empresas.

 Porém, apesar de saudar o compromisso do Estado em assumir cerca de 70% dos diferenciais de preços, a CCS manifestou preocupação com a execução financeira.

Afirmou, por outro lado, que a organização estará “extremamente atenta” à celeridade das compensações financeiras aos operadores, sublinhando que qualquer atraso pode comprometer a liquidez necessária para a importação e reposição de stocks, colocando em risco o abastecimento do país.

Para a Câmara de Comércio de Sotavento, o pacote energético deve ser acompanhado de medidas que aliviem a tesouraria das empresas de comércio.

Neste processo defendeu que o estado deve complementar o pacote aprovado com linhas de crédito bonificadas para apoiar o fundo de maneio das empresas que lidam com a escalada de preços.

Flexibilização aduaneira, permitindo o pagamento faseado de direitos em produtos de primeira necessidade; e agilização logística no desalfandegamento garantindo que os bens chegam ao mercado com menor impacto possível no preço final ao consumidor são outras das medidas defendidas pela CCS.

A Câmara de Comércio de Sotavento apelou igualmente à simplificação dos procedimentos para a instalação de energias renováveis no sector privado, alegando que a eficiência energética é a única via para reduzir a exposição crónica a choques externos.

Frantz Tavares concluiu, reiterando que estas medidas são um “balão de oxigénio indispensável”, prometendo que a CCS vai monitorizar de perto o impacto junto dos seus associados, visando garantir que a estabilidade chegue a toda a cadeia comercial e de importação de Cabo Verde.

PC/ZS

Inforpress/Fim

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