
Em entrevista à Inforpress, o presidente do grupo, Alíbio Brito, garantiu que os trabalhos de preparação do Carnaval de 2026 “decorreram dentro da normalidade, apesar das dificuldades relacionadas com materiais, recursos humanos e apoios financeiros”.
Segundo o mesmo, o enredo aborda, numa primeira fase, os medos e superstições antigas, que marcaram gerações passadas, e faz a transição para os novos medos do presente.
Entre estes nomeou a ansiedade, que classificou de “doença do século”, as incertezas em relação ao futuro, as guerras, as catástrofes naturais e o impacto crescente da era digital.
“O medo de hoje já não é o mesmo de antigamente. Antes eram superstições ligadas ao escuro ou a histórias antigas. Hoje falamos de ansiedade, do medo do amanhã, de não saber o que nos espera”, afirmou.
O presidente do Estrela Azul garantiu que o tema será trabalhado de forma integrada, envolvendo música, fantasias e andores, com atenção aos detalhes e à coerência da mensagem a transmitir.
Segundo Alíbio Brito, o objetivo é permitir que o público compreenda claramente a ideia central do enredo ao longo do desfile.
Relativamente aos trabalhos, Alíbio Brito destacou que o grupo funciona com um estaleiro de confecção dos carros alegóricos e dois ateliês de costura, ao contrário dos anos anteriores em que a preparação dos trajes era feita num único ateliê.
Segundo o dirigente, esta opção visa melhorar a gestão de horários e evitar a sobreposição de tarefas.
No que toca aos materiais, o presidente reconheceu que continuam a existir constrangimentos, sobretudo ao nível do transporte e da aquisição de matéria-prima fora da ilha.
Conforme explicou, São Nicolau não dispõe dos materiais necessários para o Carnaval, sendo quase tudo importado, o que se agrava quando a festa coincide com o período pós-Natal, altura em que os principais mercados, como São Vicente e Praia, ainda não têm material carnavalesco disponível.
Outra preocupação apontada prende-se com a escassez de recursos humanos, consequência da migração e emigração, que tem provocado a redução do número de pessoas com competências artísticas disponíveis na ilha.
“Cada vez há menos pessoas nos estaleiros e ateliês, e isso traz atrasos e limitações”, lamentou, defendendo a necessidade de formação e maior envolvimento das autoridades locais e do Ministério da Cultura.
Relativamente ao apoio financeiro, o presidente considerou este um dos principais “calcanhares de Aquiles” do Carnaval de São Nicolau, destacando que até ao momento o grupo recebeu apenas a primeira tranche da câmara municipal, no valor de 150 mil escudos, e 50% do apoio do Ministério da Cultura, sem outros apoios até ao momento.
Relativamente ao número de foliões, o mesmo sublinhou que o grupo tem até o momento cerca de 200 figurantes inscritos, número que pode vir a aumentar nos próximos dias, distribuídos por seis alas.
Alíbio Brito apelou ainda à união, ao voluntariado e ao apoio das entidades públicas, empresas e população em geral, alertando que o Carnaval é uma das poucas grandes manifestações culturais ainda ativas na ilha.
Este ano participam dos desfiles oficiais do Carnaval da Ribeira Brava, São Nicolau, nos dias 14, 15 e 17 de Fevereiro os grupos Copa Cabana e Estrela Azul.
WM/AA
Inforpress/Fim
Partilhar