
São Filipe, 16 Fev (Inforpress) – O grupo carnavalesco Mar Azul manifestou “profunda indignação” com a Câmara Municipal de São Filipe, acusando-a de alterar o regulamento do carnaval 24 horas antes do desfile oficial e ameaçando não participar no desfile.
Em causa está, segundo um dos elementos do grupo Mar Azul, a retirada do item “comissão de frente”, avaliado em 120 pontos, que para o grupo é central para o tema e para toda a concepção do trabalho deste ano.
Segundo Hélder de Andrade, um dos responsáveis do Mar Azul, o regulamento foi enviado há mais de um mês e previa o cumprimento integral de todos os requisitos e acrescentou que foi estipulado um prazo de 48 horas para eventuais reclamações, sem que tenham recebido qualquer comunicação formal de contestação.
“Não se pode retirar agora um item essencial, alegando que outro grupo não conseguiu cumprir. Isso é falta de respeito e incoerência”, afirmou um dos responsáveis em declarações à imprensa.
O grupo sustenta que direccionou investimentos e preparação para a comissão de frente, considerando-a elemento-chave da apresentação.
Caso a decisão se mantenha, o Mar Azul admite não participar no desfile oficial para a competição, podendo apenas apresentar os carros alegóricos fora da avaliação.
“Se a decisão continuar, não vamos desfilar para competir”, anunciou Helder de Andrade que acrescentou que o grupo se sentiu prejudicado também pelo resultado do ano passado.
O mesmo acusou a edilidade de beneficiar o grupo Faxa da Terra, cujo responsável é condutor do presidente da câmara e da mesma filiação político-partidária, acrescentando que qualquer coisa que ele tenha solicitado consegue da edilidade.
“A câmara municipal deu-lhe três bases de andores construídos na oficial central que é destinado a trabalho da câmara municipal e não para trabalho de carnaval, sabendo que tem quatro grupos carnavalescos em São Filipe”, disse.
Face a este cenário, Helder de Andrade questiona a liderança da vereadora da Cultura, Lia Barbosa, e denuncia alegados favorecimentos a outro grupo e acrescentou que a vereadora não tem condições para estar à frente da cultura e do carnaval.
Por sua vez, a vereadora da Cultura, Lia Barbosa, esclareceu que este ano foram introduzidos quatro novos pontos no regulamento, incluindo a comissão de frente, mas que a deliberação da câmara municipal era que todos os itens novos não entrassem na avaliação deste ano.
Segundo explicou, por lapso, o ponto não foi retirado da tabela enviada aos grupos.
Ainda de acordo com a responsável, o grupo Faxa da Terra solicitou a inclusão de todos os novos pontos ou a retirada de todos e em reunião realizada hoje, os restantes grupos teriam sido unânimes na exclusão dos novos critérios, com excepção do Mar Azul.
“Se o grupo optar por não desfilar, é livre de o fazer, mas existe um contrato e poderá ter de devolver o subsídio financeiro”, advertiu.
A autarquia nega qualquer favorecimento e rejeita as acusações relativas à cedência de materiais, afirmando que todos os grupos que solicitaram apoio foram beneficiados de forma equitativa e lembrou que Mar Azul foi o primeiro a beneficiar em 2024 e que depois do desfile vendeu os materiais como ferro velho.
“Em São Filipe tudo é politizado”, disse a vereadora que acrescentou que neste momento está a analisar outras questões relacionadas com a reclamação do próprio grupo Mar Azul, “o que mais reclama por tudo e por nada”.
JR/HF
Inforpress/Fim
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