Cáritas Cabo-verdiana aponta escassez de recursos financeiros e humanos como principal desafio

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Cáritas Cabo-verdiana aponta escassez de recursos financeiros e humanos como principal desafio
03/03/26 - 02:12 pm

Cidade da Praia, 03 Fev (Inforpress) – A presidente do Conselho Fiscal da Cáritas Cabo-verdiana, Clara Marques, afirmou hoje, na cidade da Praia, que a escassez de recursos financeiros e humanos constitui o principal desafio da organização.

Em declarações à Inforpress, no âmbito da semana nacional comemorativa do quinquagésimo aniversário da organização, Clara Marques apelou a novas parcerias e voluntários para apoiar as pessoas em situação de vulnerabilidade.

A dirigente sublinhou que a Cáritas necessita de desenvolver mais projectos e estabelecer novas parcerias para ampliar o alcance das suas intervenções sociais.

“Poderíamos dar muito mais às pessoas vulneráveis, mas muitas vezes a Cáritas também precisa de apoio para poder fazer isso”, afirmou, reforçando o apelo à participação activa da sociedade.

Segundo a responsável, o voluntariado é a base do trabalho da instituição, pelo que a falta de pessoas disponíveis para doar parte do seu tempo compromete a capacidade de resposta.

“O trabalho da Cáritas é voluntariado. Se não tivermos pessoas para prestar esse serviço, torna-se difícil cumprir a nossa missão”, destacou, apelando à disponibilidade de, pelo menos, algumas horas semanais ao trabalho comunitário.

Clara Marques incentivou, igualmente, a adesão de profissionais das áreas sociais, como Sociologia e Assistência Social, para colaborarem na elaboração e implementação de projectos, considerando que estes contributos representam uma mais-valia para a organização.

A presidente do Conselho Fiscal defendeu ainda a necessidade de promover a cultura de voluntariado junto das crianças e jovens, como forma de fortalecer o espírito de solidariedade no país.

Apesar de reconhecer que os cabo-verdianos são um povo solidário, considerou que o nível de voluntariado “deixa a desejar” quando comparado com épocas anteriores.

“Já fomos um povo mais solidário, numa altura em que tínhamos menos. Hoje temos um pouco mais, mas a solidariedade é menor”, observou.

Clara Marques salientou que a Cáritas está aberta à colaboração de todas as pessoas, independentemente da religião, e convidou os interessados a manifestarem o seu interesse através da página oficial da instituição ou junto das paróquias e dioceses.

“O voluntariado não é só para dar bens, é também para prestar serviço”, disse.

A responsável manifestou o desejo de que, nos próximos 50 anos, a instituição possa contar com mais voluntários e um serviço mais organizado, de modo a reforçar o apoio prestado às comunidades mais necessitadas.

A escassez de recursos materiais também constitui um outro problema da organização já que, segundo afirmou, a Cáritas Cabo-verdiana tem enfrentado dificuldades em termos de equipamentos e espaços para reunir com os beneficiários.

A Cáritas foi formalizada em Cabo Verde em 1976, integrando a rede da Cáritas Internacional, uma confederação presente em mais de 160 países com um forte cariz humanitário e social.

DG/HF

Inforpress/Fim

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