Cáritas Cabo-verdiana: 50 anos de solidariedade marcam uma caminhada “positiva e desafiadora”, diz secretária-geral

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Cáritas Cabo-verdiana: 50 anos de solidariedade marcam uma caminhada “positiva e desafiadora”, diz secretária-geral
06/03/26 - 10:25 pm

Cidade da Praia, 06 Mar (Inforpress) – A secretária-geral da Cáritas Cabo-verdiana, Marina Almeida, considerou hoje que o balanço dos 50 anos da instituição é “positivo e desafiador”, sublinhando que a organização construiu o seu percurso com o contributo de milhares de pessoas.

Em entrevista à Inforpress, por ocasião das comemorações do cinquentenário da Cáritas em Cabo Verde, Marina Almeida destacou que as cinco décadas de trabalho representam uma “caminhada longa marcada pelo compromisso com os mais vulneráveis”.

“50 anos é muito trabalho, é uma caminhada longa. Como dizemos sempre, é uma construção conjunta. São milhares de pessoas que se doaram para que a Cáritas chegasse até onde está hoje”, afirmou.

Segundo a responsável, desde a sua criação a organização começou por desenvolver acções emergenciais e de promoção social, com especial foco nas mulheres, área que continua a merecer atenção nas actuais intervenções.

“A Cáritas começou com várias acções de promoção, sobretudo das mulheres, e hoje continua a incentivar dinâmicas que acompanham o próprio evoluir da sociedade cabo-verdiana”, explicou.

A secretária-geral esclareceu ainda que as principais acções da instituição continuam voltadas para as camadas mais vulneráveis da população, com destaque para famílias em situação de pobreza, mulheres e crianças.

Entre os projectos em curso, destacou o reforço das cantinas escolares em bairros periféricos, medida destinada a apoiar crianças provenientes de famílias com dificuldades económicas.

“Neste momento estamos a trabalhar no reforço das cantinas escolares das periferias das cidades, porque muitas famílias se encontram desestruturadas e com baixo poder económico e não conseguem complementar a alimentação exigida nas escolas”, disse.

De acordo com Marina Almeida, mais de duas mil crianças beneficiam actualmente de programas de segurança alimentar e nutricional, implementados nas ilhas de Santiago e São Vicente.

A responsável referiu ainda que a instituição intervém também em situações de emergência, recordando uma intervenção recente em São Vicente na sequência de uma catástrofe, que beneficiou milhares de famílias.

Apesar do impacto das acções, sublinhou que a Cáritas privilegia mais a qualidade das intervenções do que a contabilização de números.

“Fazer o cálculo dos números não é o que mais nos interessa. O que nos motiva é a qualidade da nossa acção”, indicou.

Para concretizar os seus projectos, a Cáritas Cabo-verdiana conta com diversos parceiros e financiadores internacionais.

Entre eles, Marina Almeida destacou a Fundação João Paulo II, a Conferência Episcopal Italiana e a organização suíça Kinderinot, que apoia sobretudo projectos ligados às cantinas escolares e à agricultura sustentável.

Esclareceu que a instituição trabalha também com os próprios beneficiários numa lógica de autonomia e participação.

“Os beneficiários também contribuem, porque trabalhamos numa perspectiva de reforço da autonomia das pessoas”, sublinhou aquela responsável.

Questionada sobre o apoio a outras instituições sociais, como a Fazenda da Esperança, esclareceu que a Cáritas vive essencialmente de doações e concentra a sua intervenção no apoio directo às famílias.

A responsável reconheceu que grande parte do trabalho desenvolvido pela Cáritas não é amplamente divulgado, explicando que essa opção está ligada à filosofia da instituição e à necessidade de preservar a dignidade das pessoas assistidas.

“Quando se trata de ajuda directa, como a entrega de cestas básicas, evitamos expor as pessoas. É uma forma de preservar a dignidade de quem recebe o apoio”, frisou.

No entanto, indicou que a organização está a desenvolver uma estratégia de comunicação que permita divulgar melhor as suas actividades sem comprometer esse princípio.

Relativamente às perspectivas para o futuro, salientou que o principal objectivo é continuar a fortalecer o trabalho da instituição, com especial aposta no voluntariado.

“Somos uma organização essencialmente de voluntariado. A estrutura é mínima e existe apenas para animar e apoiar os voluntários”, assinalou.

A responsável adiantou ainda que a experiência acumulada ao longo de cinco décadas tem permitido à Cáritas Cabo-verdiana reforçar a cooperação internacional, nomeadamente com a Cáritas de França, através da troca de metodologias de trabalho.

A Cáritas de Cabo Verde é uma instituição de cariz humanitário, social e religioso, criada desde 1976 para acudir todas as pessoas vulneráveis.

Durante esses 50 anos de existência, realizou milhares de acções sociais aos seus beneficiários e está presente em todas as frentes de catástrofes naturais, nomeadamente, tempestades, erupções vulcânicas e incêndios, desenvolvendo acções para mitigar os efeitos desses fenómenos que têm assolado Cabo Verde.

A Cáritas Cabo-verdiana pertence a uma rede com mais de 160 Países no Mundo e em Cabo Verde está presente nas 43 Paróquias do País.

LC/HF

Inforpress/Fim

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