Cabo Verde promove workshop sobre notificação dos óbitos para reduzir taxa de 10% como “causa mal definida”

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Cabo Verde promove workshop sobre notificação dos óbitos para reduzir taxa de 10% como “causa mal definida”
21/04/25 - 03:05 pm

Cidade da Praia, 21 Abr (Inforpress) – O representante do Ministério da Saúde disse hoje que o país quer melhorar a qualidade do sistema de informação sanitária sobre a notificação dos óbitos, visando com isso reduzir a taxa de 10% como “causa mal definida”.

“Apesar do avanço do processo das acções e serviços de saúde com consequente melhoria da cobertura e qualidade das informações de mortalidade, contudo ainda existem desafios com evidentes problemas na qualidade de informação e na cobertura do sistema”, frisou António Moreira, na cerimónia da abertura do workshop de análise e revisão do processo de registo de óbito a decorrer durante três dias na Praia.

Neste âmbito, aproveitou para explicar que em 2023, durante o processo de elaboração do plano das doenças não transmissíveis 2024-2028 foram identificados, pelos profissionais, a necessidade de desenvolver-se uma análise detalhada do processo de registo de mortalidade e causas de morte a nível nacional.

Conforme o representante do Ministério da Saúde a intenção é melhorar a qualidade de informação estatística na área das doenças não transmissíveis permitindo que as acções de prevenção, promoção e controlo das doenças sejam direccionadas para o bem-estar da população cabo-verdiana.

Ao usar da palavra o representante da Organização Mundial da Saúde, Benson Droti, explicou que a morte e a sua causa não são apenas números, mas uma forma de melhorar a política de saúde, o seu desenvolvimento e implementação.

“Assim como cada criança precisa de uma identidade, o registo de vítimas ajuda e é uma chave para muitos cálculos que usamos em nossas estimativas de saúde. A informação sobre a causa da morte é crucial para identificar-se as intervenções de saúde num país”, acrescentou.

Sublinhou ainda que nesta área não se fala apenas sobre números, mas também de intervenções específicas para evitar mortes que podem ser prevenidas.

Neste aspecto referiu que a situação em Cabo Verde é diferente por ser um dos países, se não o único, onde os fundamentos da morte e as suas causas são muito fortes e onde todos os médicos estão envolvidos na reportagem das causas de mortes.

Já a representante da cooperação portuguesa em Cabo Verde, Tereza Sousa, que enalteceu a iniciativa de se aprimorar a certificação de óbitos e a notificação das causas de morte, considerou “importante” que os números estatísticos e as causas, sejam apurados por forma a que possam melhorar as políticas e a intervenção na área da saúde e das doenças não transmissíveis.

“No âmbito das doenças não transmissíveis (DNT) reconhecemos a necessidade de realizar uma análise aprofundada que possa melhorar o registo da mortalidade e suas causas a nível nacional”, asseverou apontando a acção como crucial para melhorar a qualidade das informações estatísticas no âmbito das doenças não transmissíveis.

Em Cabo Verde, segundo o Relatório Estatístico de 2022 do Ministério da Saúde, as três primeiras causas de morte estão relacionadas com doenças não transmissíveis e a quinta causa de morte é classificada como “Sintomas mal definidos”.

No país cerca de 10% do número total de óbitos são registados sem local de ocorrência, daí a necessidade de melhoria da qualidade da informação estatística na área das DNT.

O Workshop de análise e revisão do processo de registo de óbito foi promovido pelo Ministério da Saúde através da Direcção Nacional de Saúde e conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde e da cooperação portuguesa.

PC/ZS

Inforpress/Fim

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